quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Natura (não) naturante?

Factos consabidos a relembrar: esta humanidade forjou meios para dominar a natureza tão poderosos que podem destruí-la por completo mais de uma vez, mas os seus meios são tão primários que se desconhece ainda em absoluto grande parte da flora e da fauna existentes no planeta e mesmo em relação à simples existência de si própria.
Pobre humanidade!

Apesar de tudo, afirma-se senhora da natureza que foi e é a sua matriz primeira e última, decidindo dela com o à-vontade louco de quem não tem que prestar contas a ninguém, nem sequer a si próprio. Muito menos às gerações do próximo futuro. A natureza está aí, inesgotável nos seus recursos, para servir e remediar todas as cegueiras e apetites...
Evidentemente, a humanidade só poderá viver dentro da natureza em que se gerou, amanhã como ontem. É facto comezinho, este, mas crescentemente em vias de ocultação, como se fosse herético, repelente, insuportável.
Isto sem pisar a soleira da polémica entre filogénese e ontogénese que não interessa para nada (além de confundir as mentes e propiciar a propaganda do criacionismo).
E foi assim…
Um aluno da escola que eu visitava em Vagos ouviu-me afirmar que somos animais. Animais?!, estranhou o rapaz. Repelia a ideia, sentindo nela um aspecto algo inferior, animalesco. Outros alunos concordaram com ele, um burburinho correu pela sala.
Claro, reafirmei, somos todos animais, sejamos gente humana, focas, pardais ou hipopótamos, e todos pertencemos à natureza! Dentro da natureza todos nascemos e estamos, dentro da natureza todos continuamos.
O miúdo, porém, a esbravejar, continuou a exprimir dúvida, escândalo ou um certo desgosto, como se de repente soubesse que o pai fora condenado por homicídio e partia em desterro para África.
Era a minha vez de estranhar. Virei-me para as professoras presentes:
- Isto, que é tão básico, não lhes é ensinado?
Sim, era.
Então de onde vinha aquela dificuldade? Ninguém lhes lembra que a natureza nada faz em vão e que é por isso mesmo que tanta gente vã tem de aprender com a natureza a viver?!
Acaso não aprendem que o fenómeno da vida resulta sempre de uma encadeamento de factores vitais conexos, portanto de uma evolução? Que não se vêem espécies a viver no mundo isoladas de outras espécies?
O episódio impressionou-me fortemente, ficou como experiência marcante.
Teremos ali a explicação essencial para as agressões que tantos infligem à mãe suprema, ignorando que não há para nós vida possível fora dela?

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