terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Liberdade, liberdade

O vício da crónica encaminhou-me a pouco e pouco para escrever fora do jornal, nas manhãs domésticas, portanto nos meus ócios. Assim mantive a derradeira coluna daquelas minhas colaborações semanais. Ocupava tempos livres mas ganhava tranquilidade. Porém, acabei por desistir definitivamente da tarefa. E foi assim…
A última crónica, por sinal com o título de «Liberdade, liberdade», ficou com a publicação complicada. Por que motivo?, indaguei. Alegou-me o responsável, S. A., que a escrevera num dia em que estivera de baixa por doença, com gripe.
E isso impedia-me de manter a colaboração regular?, estranhei. Uma colaboração que oferecia ao jornal que me empregava?, sublinhei.
Isso mesmo!, reafirmou.
«Liberdade, liberdade» saiu mais tarde (pudera não!) mas encerrou a Linha de água, título da coluna. Viu-se então, dava água pela barba aos meus próximos. E tinha leitores fiéis, alguns dos quais logo me manifestaram que devia retomar a coluna. Exprimiam-se em termos simpáticos, sem dúvida, embora insinuando também que estava a faltar-lhes com algo a que tinham direito. Pois não continuava eu a trabalhar no jornal? Retorquia-lhes, paciente: escrevam uma cartinha à direcção do jornal a dizer isso mesmo, não é grande maçada, pois não?!
Acredito que nem um amigo daqueles se deu à maçadoria. E o direito a exigir de mim manteve-se de pé: a um autor cabe ter deveres…
Um clima de inveja manifestou-se de corpo inteiro no jornal quando me dispus a publicar O Museu no Sótão, livro que recolheu uma quantidade de crónicas saídas naquela coluna. E de novo S. A. interveio com excepcional dureza: pretendeu impedir – sim, impedir – a publicação do livro, alegando que as crónicas pertenciam ao jornal! Crónicas escritas por mim nos ócios e… dadas de mão beijada!
Consultei um especialista de Direito do Autor, L. F. R., que me confirmou as ideias. Os textos, assinados por mim, continuavam realmente a pertencer-me três meses decorridos que fossem sobre a sua publicação.
Evidentemente, ninguém conseguiu travar a edição do livro, mas deu-me a medida do que na sombra se urdia. Fiquei sem pinta de vontade de tornar a ver o meu nome impresso naquelas páginas indecorosas.

Uma evocação de Ribeiro Sanches que redigi à pressa em folga de fim-de-semana e que saiu no jornal a tempo foi distinguida com prémio pecuniário. Aconteceu, porém, que a notícia respectiva acabou descartada, caso estranho porque de regra é o próprio jornal se honrar nessas ocasiões. Mas os chicos-espertos são mestres no manuseio dos seus recursos.
Divulgou o prémio a imprensa da concorrência.

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