sábado, 8 de março de 2008

Governo planetário, já!

A globalização (não a introduzida pela Internet, sim a imposta por interesses e estratégias do comércio e da livre circulação dos capitais) tem espalhado batalhões de braços em riste a bater-lhe palmas. Então, se assim é, vejamos o mundo assim globalizado. Notemos os seus problemas mais instantes e agudos.
A conservação do ambiente natural e da biodiversidade, isto é, o controlo mundial dos gases nocivos, não tem correctivo. A degradação já se torna irreversível.
A paz planetária continua ameaçada mais e mais pela difusão de bombas nucleares, pela militarização do espaço (a «guerra das estrelas») e pelas mobilizações imperialistas dos polos.
E não se vê de onde virá um governo efectivo, ou um colectivo de governos unificados, em condições de dar resposta suficiente aos problemas globalizados.
Todavia, são estes problemas planetários que mais afectam a população planetária. Podem fazer estoirar a Terra. Seria bom que deles falassem quantos falam de globalização com aplausos de braços em riste, em vez de aplaudirem o predomínio das estratégias do comércio e das finanças internacionais. São estas forças (não eleitas, não democráticas, sem rosto) que sufocam, numa pilhagem crescente, o mundo. Fazem-nos sentir ao vivo a falência completa dos governos principais e a necessidade premente de se trabalhar pela formação de um autêntico e eficaz governo planetário. Para que governe o planeta de olhos abertos e mereça os impostos que pagamos…


As descobertas permitidas pelos estudos iniciados em torno das chamadas fontes hidrotermais submarinas, situadas a profundidades por fim acessíveis, obrigam pelotões de cientistas a rever conjuntos de ideias até agora assentes sobre a origem e evolução dos organismos vivos. Admite-se que estará ali, nas profundezas oceânicas, por sinal em ambiente de altíssima pressão, sem oxigénio, sem luz do sol e maximamente tóxico, a matriz primigénia autêntica dos seres conhecidos da natureza. Reacende-se, assim, um debate científico dos mais estimulantes que irá manter-se, quero crer, por muito tempo.
Os astrónomos, que tacteiam as funduras do Universo sondando todas as manifestações de vida, ficam também na necessidade de reavaliar ideias tidas como assentes. Os «modelos» que condicionavam o aparecimento e a evolução dos organismos em determinadas condições naturais preexistentes estão assim a alargar-se, porventura a dissolver-se um pouco e a reajustar-se. Por isso ganha cada vez mais consistência a hipótese de que, quando pensamos a matéria (orgânica ou inorgânica), estamos a pensá-la apenas num certo estado. Ora a matéria, sendo transformável, não é destrutível. Em si mesma contém, indissoluvelmente, espaço e tempo – as duas dimensões fundamentais. Matéria-espaço-tempo é, revelada, a forma absoluta de todas as formas possíveis da génese. E vêm à baila os «buracos negros» no centro das galáxias, os neutrinos…
Enfim, dai-me matéria e dar-me-eis tudo – espaço, tempo e vida em evolução.

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