domingo, 30 de agosto de 2009

«Arre, porra, que é demais!»

Um amigo dos velhos, que são dos melhores, mandou-me para a caixa de correio um e-mail com os versos assim intitulados. A autora, identificada, foi sua antiga condiscípula e continua a ser dele uma amiga. Li o texto e também achei graça. Apreciem-nos como eu, saudando MLM, autora de poemas já publicados em dois volumes.


Portugal tem grandes vidas
Carros de luxo e mansões
Ensina a viver de dívidas
E a jogar no euromilhões

Ai este povo enganado
Vai andar sempre de banda
É agora e no passado
Quando a banca era a Holanda

Para a corte e outros mais
Terem palácios e nome
Este povo de mortais
Como dantes, passa fome

Ensinar às nossas gentes
Que o bom é viver à larga
E à custa de expedientes
É a herança mais amarga

Trabalho qualificado?
Sim senhor, seja o que for
Mas aqui no endividado
Corre tudo a ser dótor

Educação? E o exemplo?
Valores? Quem pode exigir?
Quando melhor neste tempo
É ter dívidas, mentir?!...

Portugal tem grandes vidas
E até dá boas esmolas
E cada um que se vire
Nos hospitais, nas escolas

Nos campos, no mar, a gente
Os portugueses mortais
Gritam como antigamente:
Arre, porra, que é demais!...

MLM/2009

2 comentários:

Fernando Sosa disse...

Muitas vezes aqueles que se queixam são também os que aproveitaram a 1ª oportunidade para fazer algo em benefício próprio que é claramente prejudicial para a sociedade. É uma autêntica selva!

Mas como utópico que sou, ainda há esperança num amanhã melhor.


Cumprimentos.

A. M. disse...

Caro Fernando Sosa:

Na infância e adolescência, conheci um sujeito já velhote, figura típica por lá e pela redondeza, que dizia, e garantia (assinando por baixo, sic), que isto seria cada vez pior. Curioso, toda a gente se ria, mas o velhote não galhofava, profetizava!
Na verdade, a esta distância temporal, acho que ceguinhos eram os que se riam, não ele, que acertava na mosca com a pontaria de quem via bem o futuro...
Algumas coisas melhoraram, é certo, mas o que perdemos?! E quem decidiu o quê?
Valha-nos a sagrada utopia, caro amigo!
Retribuo cumprimentos.