quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Conversei com ATM

Nunca tal coisa me passaria pela cabeça - e aconteceu! Apresentei-lhe o meu cartão, vi o sorriso de boas-vindas, indiquei o que pretendia. Tudo bem, normalíssimo, até que fui servido.
Peguei nas notas e foi então que estranhei: eram mais seis das tais, todas novinhas em folha! Encheu-me uma vontade louca de barafustar e, no entanto, consegui travar uma conversa aparentemente normal.
Onde param as notas de dez e de vinte que usávamos há dez meses? Eram notas populares, quase tanto como as de cinco. Andavam há anos de mão em mão, eram os nossos euros, tinham as marcas das nossas mãos...
E agora só nos vêm às mãos notas acabadinhas de sair da máquina que as imprimiu para o banco que no-las dá. De dez ou de vinte, das acastanhadas e das esverdeadas, pois das outras, de cinquenta, cem e et caetera, até quinhentos, nem falamos. Não querem nada connosco e nós nada queremos com elas.
Perguntamos: onde param as notas que usávamos, para onde foram elas tão fugidas que andam da nossa vista? Quem as arrebatou à socapa para o seu monte escondido e criou esta necessidade de fabricar à pressa notas e mais notas? Quem manda pôr em movimento as gráficas que noite e dia enchem paletes com rimas espessas destes bilhetes, papéis coloridos já dispensados da referência ao padrão ouro e que prometem valer tanto como o seu próprio peso?
Nós queríamos de volta o nosso velho dinheiro, não este fabricado à pressa para tapar o buraco que assim pretendem entulhar.

5 comentários:

Fernando Sosa disse...

Olá caro Arsénio Mota,

acusações graves essas que faz. Tem lógica o seu raciocínio, mas tem mais alguma informação que eu desconheça para além do que o texto aponta?

Cumprimentos.

A. M. disse...

Caro Fernando Sosa:

Desculpe, então eu faço acusações graves? Penso que não. A minha «conversa» com uma vulgar máquina de MB (MultiBanco) pôs-me a reflectir sobre evidências correntes e acessíveis a toda a gente.
Será que a ironia me nasceu torta?
Abraço.

Fernando Sosa disse...

Como lhe disse, caro Arsénio Mota, compreendo o raciocínio, e embora eu possa ter entendido mal, parece-me que acusa explicitamente os Bancos de estarem envolvidos em negócios obscuros.

Cumprimentos.

A. M. disse...

Nada disso, meu caro. Creio que se pode ler no que escrevi que há muito dinheiro em notas novas a aparecer em circulação. Aponto, portanto, para isso tentando lembrar que a produção geral da riqueza não tem aumentado, antes pelo contrário...
Acha pouco?
Saudações.

Fernando Sosa disse...

Má interpretação da minha parte então.

Já não é preciso qualquer informação adicional para apontar esse facto, por isso mesmo: é um facto!


Abraço.