segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vão os livros acabar?

Os livros no suporte de papel, entenda-se. Deixámos há tempo de ouvir a interrogação algo alarmada ou alarmante, mas estamos agora a tê-la de regresso. Puxamo-la para título vendo as mudanças a precipitar-se: mal estremunhamos e já estamos de partida para outra.
É verdade, acreditei sempre que os livros de papel iriam sobreviver à era da informática, adaptando-se à nova tecnologia, com tanta convicção como hoje me recuso a profetizar o fim dessa «máquina de ensinar» (Marshall McLuhan). Mas anunciam-se transformações notáveis.
Desde logo, a situação actual pede correctivo. O acesso à compra dos livros que nos interessam nas livrarias, quaisquer que sejam, ficou difícil e, por norma, inviável. Nas livrarias e outros postos de venda encontram-se as novidades do dia, da semana ou, com alguma sorte, do mês passado pois não sobra espaço nos escaparates e nas prateleiras para muito mais. E a livralhada, adquirida fora dos saldos, sai-nos cada vez mais cara.
Eis o motivo por que se expandem em ritmo crescente os catálogos online e as vendas de livros em formato digital. É via cómoda, rápida e, além disso, bastante mais barata sobretudo se o adquirente poupar a respectiva impressão em papel. Bem avisado, talvez até já possua um leitor de e-books, aparelho electrónico que requer designação genérica em português.
Trata-se, como sabemos, de uma caixa portátil, com ecrã de plasma, dotado de memória que permite a descarga, através do computador, e posterior eliminação, de uma quantidade enorme de volumes digitalizados. São virtuais, não pesam e não ocupam espaço. Além dos textos, podem ter imagens e mesmo sons (se tal for preciso). Frases, palavras ou páginas podem ser sublinhadas, realçadas a marcador, e o usuário pode folhear a obra, tomar notas à margem, além de aumentar ou diminuir o tamanho das letras, o brilho do ecrã, etc. Encontram-se no mercado vários modelos de marcas diferentes.
Um rápido relance permite avaliar o impacto que estes agora ditos e-books estão destinados a provocar. Previsões seguras e sem risco: vão multiplicar-se as edições de livros em formato digital, já não em papel, para venda online. Vão rarear as livrarias resistentes e subsistir as edições tradicionais apenas de obras «especiais», destinadas a um público apreciador residual. Algumas editoras irão especializar-se no formato electrónico com lançamentos apenas através da Internet.
Quem visiona este próximo futuro compreenderá claramente a corrida que houve para a compra e concentração em poucas mãos das principais casas editoras nacionais. Os compradores corriam para os seus catálogos, os seus fundos editoriais. Esses «conteúdos» prometem fazer andar o negócio seja na Europa seja na América. Os «saberes da humanidade» vão alojar-se numas poucas bibliotecas digitais mundias -- a BDM, a Europeana, a Google Book - e, como diria La Palisse, quem nelas não entrar fica de fora. [Clique na imagem para ampliar.]

2 comentários:

Fernando Sosa disse...

Bom, tentemos ver um aspecto positivo: seremos mais ecológicos no que ao gasto do papel diz respeito.
Não sei se compensará os gastos em energia que os computadores necessitam fazer.
Por outro lado, pode-se sempre usar papel reciclado...

Ecologia de lado, pessoalmente dá-me mais gosto ler com um suporte físico do que no computador, mas muitas vezes dá jeito fazê-lo pela segunda via.

O que me preocupa bastante é que possa existir cartelização nas editoras (nalguns casos já existe por esse mundo fora...). Cartelizar o Saber nunca será bom para as mentes livres.


Abraço.

A. M. disse...

Caro amigo, neste caso não sei se valerá a pena discutir o vento e a direcção do vento sem perder tempo.
Eu creio que, como digo, os livros em papel vão continuar a existir, só que essa circulação irá minguar com o passar dos anos.
A leitura nos «e-books» será mais barata e cómoda. A energia que consumam, decerto mínima, pode ser gerada pela luz, como certas calculadoras ou fornecida ao aparelho por baterias recarregáveis.
Uma vantagem formidável é que nos muitos milhões de obras dos catálogos digitais encontraremos até os imensos livros que não temos já presentes no mercado, pois as livrarias estão cada vez mais longe de conter «tudo» de edição recente quanto mais obras esgotadas ou «velhas»!
Cartelização? Perigos decorrentes da concentração? Pois é, diz bem: Perigos. E corremos para eles de olhos abertos...
Fiquemos a olhar, atentos.
Cumprimentos.