domingo, 11 de outubro de 2009

Obama Nobel da Paz

Quando Obama entrou na Casa Branca, saltou e derramou-se o optimismo como champanhe a borbulhar de garrafa festiva. Mas é evidente, a pessoa que faz o lugar também é feito por ele, de modo que a relação dialéctica entre os dois termos pode variar sem se perder. Então, como entender agora Obama distinguido com o prémio Nobel da Paz?
Vai ele resolver finalmente o problema dos milhões de palestinianos sem pátria na sua própria terra milenar ou exilados para que Israel exista? Proibir novos colonatos, abrir a faixa de Gaza, decidir a pertença legítima de Jerusalém?
Vai acabar com o velho, indecente e inútil bloqueio a Cuba e normalizar as relações com a ilha? Encerrar Guantánamo?
Vai deter a invasão no Iraque sem o deixar afundado em guerra civil e admitir o julgamento em tribunal de quem ali praticou atrozes crimes impunes?
Vai ter pulso para desatar o nó que antecessores ataram no Afganistão, onde já muitos vêem outro Vietname? Vai considerar correctas e fiáveis as eleições que favoreceram Karzai?
Vai continuar a querer impor um regime democrático pela força das armas a povos com outras preferências por motivos de formação histórico-cultural?
Vai desapoiar os golpistas que tomaram o poder nas Honduras, depondo o presidente democrático legitimamente eleito (refugiado na embaixada brasileira de Tegucicalpa e apoiado pelo seu povo apesar da repressão)?
Vai ponderar nas críticas ocidentais ao governo do Irão de modo a torná-las absolutamente credíveis, isto é, sem vestígio de petróleo nem sionismo?
Vai deixar em paz o regime dito bolivariano de Chávez, que inferniza embora o líder tenha um óbvio apoio popular e siga o sistema democrático?
Vai deixar à porta da Casa Branca os industriais de armamentos e os seus arautos do Pentágono? Duvidar de alguma outra «invenção conveniente» da CIA? Pôr em sentido os senhores do petróleo e do gás natural?
Vai reduzir para metade, ou para um décimo, ou para dez apenas, as quase mil bases militares que os Estados Unidos têm espalhadas pelo mundo?
Vai cortar nas despesas militares que levam todos os anos, dizem, metade do orçamento nacional e que transforma os EE.UU. na primeira potência militar mundial (logo, por definição, imperialista)?
Vai consentir em colocar o seu país no concerto das nações, em autêntica paridade com alguns outros principais, e trabalhar pela reorganização e redignificação da Organização das Nações Unidas?
Quem pergunta quer saber. E fica para ver...

Sem comentários: