quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vamos jogar matraquilhos?

Tempos maus, estes que vivemos. É o dito dos que não  são banqueiros e governantes, ou seja, todos nós, a imensa maioria. Até os dirigentes desportivos já entram no coro dos queixumes, vendo os seus estádios a encherem-se de moscas.
É verdade, desde há muito se sabia que o futebol de competição, o tal com honras de «academia», era actividade ruinosa. Dava bem mais despesa que receita porque era preciso alimentar a indústria dos golos metidos ou sofridos  e isso pedia compras e contratos milionários com jogadores, treinadores, seleccionadores, empresários e senhores das equipas. As dívidas acumuladas dos principais clubes e outros problemas em acumulação constituem um nó górdio que só um golpe de espada poderá desatar, cortando-o.
Estamos na hora de fugir por outros caminhos dos problemas que nos abafam. E de praticar desporto, não de o tomarmos como espectáculo. Descobrindo com ingénua surpresa que a competição pela competição, transformada em espectáculo de massas, de custos incomportáveis e mesmo ruinosos, matou barbaramente o desporto, que é actividade lúdica saudável, bela e prazenteira.
Cortemos então, cerce, com um golpe de espada, o nó do problema. Joguemos matraquilhos, todos, de norte a sul e regiões autónomas. Jogando de pé, dois de cada lado, quatro praticantes por bilhar em animados confrontos, braços em movimento, manápulas firmes nos manípulos, olhos fitos na bola chutada e em corrida para a baliza.
A procura dos bilhares, sem dúvida, irá sair da apatia em que se encontra para atender as encomendas. Mas são fáceis de fabricar e nem requerem compras de componentes no estrangeiro, temos cá dentro tudo o que é preciso. E note-se a diferença de custo entre um estádio, que pode ser novo e para demolir, e um jogo de matraquilhos pronto a usar.
Acresce que os portugueses - portugueses de todas as idades e géneros -, estão a ficar com excessos de peso. Saltem, portanto, do sofá ou da bancada, fiquem de pé como gente, e pratiquem desporto. Mexam-se jogando matraquilhos.
Há quem acredite que, mexendo-se assim, irão conseguir activar as meninges do outro hemisfério. Pouco a pouco, decerto, mas será esse o caminho da salvação. De costas para o desporto-rei, a vibrar com entusiasmo e a disparar pontapés certeiros na bola rolante, os jogadores não mais serão espectadores de outros jogadores e sim, finalmente, jogadores praticantes eles próprios e de sangue a borbulhar na guelra.

2 comentários:

Fernando Sosa disse...

Belo texto, embora eu goste mais de sentir a bola nos pés (destas modernas, mais macias, que Eusébio, Jesus Correia ou Pinga não experimentaram). Mas à falta do futebol habitual, os matraquilhos são sem dúvida uma divertida, mas competitiva, solução.

Um dia disse que se houvesse alguém que gostasse mais de Futebol do que eu, prontamente diria que não era verdade. Referia-me não só a praticar eu próprio o dito desporto, como também assistir aos jogos profissionais. Pois bem, cortei definitivamente com aquele bando de corruptos e gananciosos, de directores a jogadores, passando pelos empresários e outros vermes.

Cada vez mais o futebol me faz lembrar a política. E acho que isso diz tudo... Basta ver o seu penúltimo texto para entender ao ponto a que chegámos.

Um grande abraço.

A. M. disse...

Meu caro:
Muito obrigado pela sua atenção e companhia.
Eu também gostei e continuo a gostar quanto posso de jogar à bola. Mas os matraquilhos apetecem. Nestes dias há formigueiros nas mãos e braços e os manípulos serviriam para os descarregar...
Continue bem, o melhor possível!