domingo, 6 de junho de 2010

Bloqueio de Gaza: violência e vergonha

O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.
Israel, como qualquer outro Estado, tem o direito a defender-se, mas isso foi um uso abusivo de força letal para defender o bloqueio vergonhoso de Israel a Gaza, onde dois terços das famílias não sabem onde encontrar a próxima refeição.
As Nações Unidas, a União Europeia e quase todos os outros governos e organizações multilaterais têm pedido a Israel para acabar com o bloqueio, e para lançar uma profunda investigação sobre o ataque à frota. Mas sem pressão maciça dos seus cidadãos, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como já fizeram tantas vezes.
Vamos gerar um clamor global tão alto que não possa ser ignorado. [Está em curso uma] petição para exigir uma investigação independente ao ataque, a responsabilização dos culpados e o fim imediato do bloqueio à Gaza. A petição será entregue às Nações Unidas e aos líderes mundiais assim que alcançar 500.000 nomes – e novamente a cada oportunidade, à medida que a lista for crescendo e que os líderes forem reagindo à situação. Uma petição massiva num momento de crise como este pode demonstrar aos que estão no poder que declarações e notas à imprensa não são suficientes – que os cidadãos estão prestando atenção e demandam ações concretas.
Enquanto a União Européia decide se irá expandir as relações comerciais com Israel, e Obama e o Congresso Americano definem o orçamento de ajuda militar a Israel para o ano que vem, e vizinhos como a Turquia e o Egito decidem os seus próximos passos diplomáticos – vamos fazer com que a voz do mundo não seja ignorada. É tempo de verdade e de responsabilizar os culpados pelos ataques aos navios, e é tempo de Israel respeitar o direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza.
A maior parte das pessoas em qualquer lugar ainda compartilha o mesmo sonho: que haja dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio e a violência usada para o defender envenenam este sonho. Como um colunista israelita escreveu para os seus compatriotas no jornal «Ha’aretz», “Nós não estamos mais a defender Israel. Nós estamos agora a defender o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está a tornar-se o Vietnam de Israel.”
Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram contra o ataque e o bloqueio, em desfiles de Haifa até Telaviv e Jerusalém – unindo-se aos protestos em redor do mundo. Independente de que lado atacou primeiro ou deu o primeiro tiro (o exército israelita insiste em dizer que não foram eles que iniciaram a violência), os líderes de Israel mandaram helicópteros armados e tropas pesadas para atacar um comboio de navios em águas internacionais, que levavam remédios e ajuda humanitária para Gaza, gerando mortes desnecessárias como conseqüência.
Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, possamos fazer deste momento trágico um ponto de viragem – unindo-nos num apelo por justiça inabalável e um sonho de paz inviolável. [Texto, aqui com pequenas emendas formais, distribuído pela equipa Avaaz, endereço: http://www.avaaz.org].

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