sexta-feira, 30 de julho de 2010

À sombra, na canícula

Nada a fazer, no verão é assim. A procura da morenice para doirar as epidermes espicaça e toda a gente se põe a dançar a tarantela. Ninguém mais quer ficar no seu poiso habitual, todos abalam em corrida em todas as direções buscando adiante o que talvez tenham deixado para trás. Metade bem aviada do país encerra para férias, algures. Mudar de ambiente, trocar o aglomerado humano por outro aglomerado humano, sonhar com um descanso cansando-se. Bem pregam os dermatologistas contra os malefícios das radiações solares perigosas, os escaldões, os melanomas em expansão. Ora! Mande alguém calar os desmancha prazeres que pregam aos peixinhos! Quem os ouve?
Mas o escriba desta coluna tem orelhas e o vento dos anos sacode-lhas a valer. Vai à rua enfrentando a torreira, encontra  fechados os seus cafés habituais e as lojas de taipais corridos, os passeios desertos, o trânsito sonolento na cidade espectral, estranhíssima. Teima na procura da bica até encontrar porta aberta, hospitaleira quanto baste. Depois, como um fantasma vadio, chega encalorado.  Decidido a paralisar a escrita para se quedar, durante um mês, sentado à sombra, a gozá-la em sossego. Acreditem, se não adormecer para sempre, daqui a um mês vão tê-lo de volta.

3 comentários:

Isabel disse...

Descansa que bem o mereces!
Eu vou fazer o mesmo!
Espero podermos marcar encontro num desses luminosos dias de Agosto, numa qualquer esplanada de café, para pôr a conversa em dia!

Beijinho,

Isabel

A. M. disse...

Proposta entregue e aceite em grata aclamação! Isabel, faz o favor de apitar, a curva espera-nos... à sombra, sim?
A conversa não vai poder esperar muito.
Beijinho.

Vítor Soares disse...

Ora, daqui a um mês, mais coisa menos coisa, cá nos vemos.

Um abraço e goze bem este período de descanso.