segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vem aí a III Guerra Mundial

Apelos pacifistas percorrem o mundo. Multiplicam-se em todos os sentidos, num crescendo de alarmes angustiados. Os motivos saltam à vista: antes o mundo estava perigoso, agora está ameaçador, eis a III Guerra Mundial a bater-nos à porta.
O sistema global do capitalismo «ocidental» afundou-se  numa crise que lhe põe à prova as estruturas e os próprios alicerces. Conseguirá o sistema enfrentar e resolver a crise mantendo-se como é? Ou terá chegado a hora suprema de se regenerar?
Mas poderá o capitalismo - sistema velho, ancilosado e exausto - ter forças para verdadeiramente se regenerar? Pode o «selvagem» civilizar-se? Opiniões das mais esclarecidas são terminantes: a única saída dentro do sistema será sempre a da solução bélica.
Assim foi ao longo da história (e convém lembrá-la em atenção às semelhanças da conjuntura internacional desta crise com, por exemplo, a da época do grande crash): desemprego, inflação, governos empenhados em políticas de direita e mesmo racistas, quebra dos ritmos de atividade económica normal, desamparo social, incremento das indústrias de guerra, massas populares asfixiadas por propagandas asfixiantes, insegurança quotidiana... 
Assim foi com o nazismo e o fascismo nos anos '30, e assim decerto se irá repetir a desgraçada experiência da conflagração mundial de 1939-1945. Justificam-se, pois, os veementes apelos à paz lançados por entre os augúrios da próxima calamidade ainda que, mais uma vez, poucos queiram acreditar em tais avisos de Cassandra. De facto, Milan Kundera é certeiro na ideia de que a perda da memória das dores e das destruições sofridas numa guerra é que torna possível a repetição de tão medonha loucura.
Mas o capitalismo do século XX, alimentado a petróleo tanto quanto se sabe, vê a sua economia a descambar. Depois do desastre do golfo do México, a exploração das energias fósseis torna-se mais problemática, cara e difícil. Todavia, o Irão possui umas jazidas apetitosas (10% das reservas mundiais e de qualidade excelente), e o Médio Oriente (Síria, Líbano, Jordânia...) ainda tem muito para dar aos amigos de Israel que sorriem para os chefes da NATO.
De modo que chegamos a isto. Lamentando a sorte da Cassandra mitológica que augurava sem ninguém convencer, enquanto decorrem os preparativos finais para a guerra - que será nuclear. Recordemos então o aviso deixado por Albert Einstein: «Não sei com que armamento se combaterá na Terceira Guerra Mundial, mas na Quarta Guerra Mundial combater-se-á com paus e pedras.»
E os guerreiros serão uns desgraçados trogloditas, sobreviventes do holocausto nuclear, regressados à Idade da Pedra depois do «século do petróleo». Eis-nos a caminhar em frente, a cantar a vitória do último jogo de futebol e a discutir o melhor treinador mais precioso e capaz de afirmar a honra nacional.
Abrimos as portas e os braços para acolher de olhos fechados os horrores que não queremos ver até que nos caiam em cima e seja tarde demais. Pouco falta para que as autênticas liberdades sucumbam e alguém grite «Viva a morte». Outro alguém apontará então a pistola ao último defensor que se atreva a falar de inteligência, cultura ou humanidade.

3 comentários:

Isabel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Isabel disse...

Olá, Arsénio!

Infelizmente, a ambição desmedida e criminosa de alguns (ainda bastantes!) tem sido o principal motor das desgraçadas políticas que encaminham o mundo para essa fatal colisão.
A história (como eu muito modestamente a conheço!), desde que o capitalismo foi implantado e se vem desenvolvendo, está repleta de testemunhos de maus investimentos na condição humana. A sua evolução é marcada por acontecimentos que revelam um excessivo aproveitamento das fraquezas do ser humano (a inveja, o ciúme, o egoísmo, o ódio,…) e que deflagraram em milhares de confrontos gradualmente avolumados, até aos colossais conflitos que marcaram o século XX, para alastrar o estigma da ambição e incentivar a divisão das opiniões, dos povos e das nações e continuar a alimentar a máquina capitalista e os seus «mentores».
Talvez fosse importante investir nas qualidades do ser humano, na sua valorização cultural, artística, afectiva, relacional…, para mudar a ordem das coisas e repor o equilíbrio no mundo.

Concordas?

Beijinho,

Isabel

A. M. disse...

Isabel, cara amiga:

«Talvez fosse importante», dizes, investir no ser humano, no que afinal seria, porque bem te entendo, a sua valorização humana global?!
Evidentemente, concordo. E só precisas de retirar o «talvez» para que eu concorde com aplauso e aclamação...
As maiores infelicidades do ser humano, sofrimentos e misérias degradantes, desde sempre, têm vindo a ser produzidas pela ambição e o egoísmo dos fortes contra os fracos, ou seja, em resultado de uma desumanização... às quais não têm sido alheias as próprias religiões e fanatismos.
Portanto, humanizemos e humanizemo-nos. É esse o caminho. Urgentemente.
Xi-coração.