quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

E vão três anos

Este blogue apareceu a 27 de janeiro de 2008, há três anos. O software que o alberga conta uns 270 posts, onde se encontrarão talvez mais de duzentos escritos em jeito de crónica.  Note-se que os textos editados, num período inicial, ficaram recolhidos no E Foi Assim..., volume em oferta para «os meus amigos» (ver na coluna ao lado).
Hoje ponho aqui estas letras sem foguetório comemorativo para estoirar, que não tenho, simplesmente para olhar um pouco para trás e deixar um convite. Gostaria que os amigos  pudessem ter esta coluna já longa como um rio que vejam a correr - isto é, lessem - sentados na pedra de um miradouro. E, com Bertolt Brecht, não apontassem a violência ou qualquer remoinho desta corrente sem verem também a violência das margens que a apertam ou chegam a sufocar.
No caudal deste «rio» têm surgido, ultimamente, abordagens diversas a temas aqui um tanto inesperados (que podem conter informação comentada ou serem comentário de informação). É verdade, o blogue não nasceu deveras para isso, pois se pretende virado para a literatura, o jornalismo, as artes, as viagens, as convivências saboreáveis. Mas os acontecimentos mudaram de paradigma ao vermos os governos, desde há décadas, de braço dado com banqueiros a cozinharem a crise que se declarava, isto é, preparando a situação que o sociólogo Boaventura Sousa Santos (entrevista ao jornal «i», 01-01-2011, título «Os mercados cometem crimes contra a humanidade) agora descreve: «Os abutres dos mercados financeiros estão a destruir a riqueza do mundo para se enriquecerem escandalosamente sem nenhum controlo e há-de haver um momento em que o povo, os governos, vão dizer basta.»
Se alguém acha coisa pouca enormidade tão gigantesca, faça a si mesmo o favor de ocupar uns minutos preciosos a visionar o video que está em http://www.youtube.com/watch?v=vsVlcJZ1YtU&feature=player_embedded#
Enfim, foi preciso escrever algo sobre tão clamorosa situação. Atento ao seu tempo, ao  cidadão cronista coube também o dever de apontar outra mudança geral de paradigma: o terrorismo como estratégia substituíra no plano político a guerra fria que tão amiga fora das indústrias armamentistas e do realismo político. E o bloguista partilhou assim da sorte dos mensageiros das más novas que, em vez de alvíssaras, obtêm desgosto e consternação.
Esta coluna deseja continuar a ser lida ainda que não aspire a ter abundantes seguidores - apenas interlocutores, imaginem porquê. Está na blogosfera... logo, naturalmente, tem interlocutores em Portugal, no Brasil, nos Estados Unidos e um pouco pela Europa, restante América Latina, etc. Avisando que os textos (sempre abreviados: leitura de um par de minutos) vem com a nova ortografia unificada agora a entrar oficialmente em vigor. Não se aflijam os contestatários do Acordo: a ortografia é pouco mais do que uma convenção...

4 comentários:

Anónimo disse...

Obrigado Arsenio pelo prazer que nos tens dado com as tuas escritas.
Alcides

A. M. disse...

Olá, amigo Alcides!
Agradeço-te as boas palavras.
Com um abraço.

Manel disse...

Um abraço amigo.
Manel

A. M. disse...

Abraço recebido, amigo Manel, e agradecido. Com uma queixinha: veio sem acompanhamento dessa guitarra...
Mas sempre há-de haver tempo após tempo.