| A faixa de Gaza, bloqueada e metralhada por Israel, sofre - até quando?! |
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terça-feira, 20 de novembro de 2012
segunda-feira, 7 de junho de 2010
O povo eleito por Deus
O argumentário de uma posição que se pretenda englobante sacrifica aspectos tidos como dispensáveis para, acima das controvérsias, afirmar a questão essencial que lhe importa. Porém, uma opinião pessoal é livre. Solta a voz sem atender a conveniências e aponta a eloquente verdade de factos.
Na antiga Palestina, tudo se carrega de idade e de história, tudo se enreda, mistura e complica. Daquele cesto, pegar numa cereja mexe facilmente com um passado de três mil anos. Interesses contrapostos acendem os conflitos.
Existem, todavia, factos indesmentíveis que resistem e perduram e que nenhuma máquina de propaganda das mais poderosas consegue esconder. A criação do Estado de Israel advém do projeto sionista concebido por Theodor Herzl, autor do livro «O Estado Judaico» (1895, em inglês no ano seguinte), e mentor do primeiro congresso sionista em 1897. Raiou então a ideia de criar uma pátria na Palestina para o Judeu Errante (em diáspora desde a Idade Média).
Ben-Gurion e outros, aproveitando conjuntura favorável (o famoso Holocausto), fundaram Israel em 14-05-1948. Mas os novos cidadãos daquele Estado saíam das suas pátrias, que abandonavam, e obtinham dupla nacionalidade. Desde então, os palestinos viram chegar, ao país multissecular que era deles, levas de estrangeiros em número crescente e foram sendo escorraçados das suas casas, das suas terras.
Eram israelitas, hebreus, judeus? O povo do Talmude? Distingue-os a religião hebraica?
Com o Livro na mão, os invasores ocuparam pouco a pouco a Palestina e acabaram por riscá-la de todo do mapa. Com o direito, divino, conferido pelo Livro. É sagrado, declara-os povo eleito por Deus... e Deus, mesmo para monoteístas, não é só um.
Quatro milhões de palestinos tiveram de fugir para o exílio, levando consigo, por vezes, apenas a chave das suas habitações. Com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia ficaram sob ocupação militar. Na Cisjordânia alastram os colonatos ilegais.
O terreno vai sendo dividido por um outro «muro da (des)vergonha». Em Gaza, mais de um milhão de habitantes, depois de bombardeados, resistem a um bloqueio terrestre, naval e aéreo que é imoral, criminoso, intolerável. Como entender tanta luta pela terra (santa) com armas desiguais e violência descomedida?
O assalto, com mortos e feridos, a dois barcos a caminho de Gaza com ajuda humanitária, em águas internacionais, é crime gritante que não pode ficar impune. Mostra toda a prepotência de uma política apostada em dizimar um povo oprimido, sitiado e espezinhado por força bruta. A indignação e a revolta tornam-se aqui um dever de consciência.
O assalto, com mortos e feridos, a dois barcos a caminho de Gaza com ajuda humanitária, em águas internacionais, é crime gritante que não pode ficar impune. Mostra toda a prepotência de uma política apostada em dizimar um povo oprimido, sitiado e espezinhado por força bruta. A indignação e a revolta tornam-se aqui um dever de consciência.
Consta que Israel possui centenas de bombas nucleares. A explicação, porém, estará no «amigo americano», que dá dinheiro e apoio político tão incondicionais que até já perguntam quem manda em quem. Todavia, a forma como foram tratados os índios americanos pode ser inspiradora...
Eis-nos, assim, transportados do século XXI para um tempo miserável (sem lei), bárbaro e selvagem, que permite e legitima conquistas feitas a ferro e fogo na cara da humanidade estupefacta.
domingo, 6 de junho de 2010
Bloqueio de Gaza: violência e vergonha
O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.
Israel, como qualquer outro Estado, tem o direito a defender-se, mas isso foi um uso abusivo de força letal para defender o bloqueio vergonhoso de Israel a Gaza, onde dois terços das famílias não sabem onde encontrar a próxima refeição.
As Nações Unidas, a União Europeia e quase todos os outros governos e organizações multilaterais têm pedido a Israel para acabar com o bloqueio, e para lançar uma profunda investigação sobre o ataque à frota. Mas sem pressão maciça dos seus cidadãos, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como já fizeram tantas vezes.
Vamos gerar um clamor global tão alto que não possa ser ignorado. [Está em curso uma] petição para exigir uma investigação independente ao ataque, a responsabilização dos culpados e o fim imediato do bloqueio à Gaza. A petição será entregue às Nações Unidas e aos líderes mundiais assim que alcançar 500.000 nomes – e novamente a cada oportunidade, à medida que a lista for crescendo e que os líderes forem reagindo à situação. Uma petição massiva num momento de crise como este pode demonstrar aos que estão no poder que declarações e notas à imprensa não são suficientes – que os cidadãos estão prestando atenção e demandam ações concretas.
Enquanto a União Européia decide se irá expandir as relações comerciais com Israel, e Obama e o Congresso Americano definem o orçamento de ajuda militar a Israel para o ano que vem, e vizinhos como a Turquia e o Egito decidem os seus próximos passos diplomáticos – vamos fazer com que a voz do mundo não seja ignorada. É tempo de verdade e de responsabilizar os culpados pelos ataques aos navios, e é tempo de Israel respeitar o direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza.
A maior parte das pessoas em qualquer lugar ainda compartilha o mesmo sonho: que haja dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio e a violência usada para o defender envenenam este sonho. Como um colunista israelita escreveu para os seus compatriotas no jornal «Ha’aretz», “Nós não estamos mais a defender Israel. Nós estamos agora a defender o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está a tornar-se o Vietnam de Israel.”
Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram contra o ataque e o bloqueio, em desfiles de Haifa até Telaviv e Jerusalém – unindo-se aos protestos em redor do mundo. Independente de que lado atacou primeiro ou deu o primeiro tiro (o exército israelita insiste em dizer que não foram eles que iniciaram a violência), os líderes de Israel mandaram helicópteros armados e tropas pesadas para atacar um comboio de navios em águas internacionais, que levavam remédios e ajuda humanitária para Gaza, gerando mortes desnecessárias como conseqüência.
Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, possamos fazer deste momento trágico um ponto de viragem – unindo-nos num apelo por justiça inabalável e um sonho de paz inviolável. [Texto, aqui com pequenas emendas formais, distribuído pela equipa Avaaz, endereço: http://www.avaaz.org].
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Doem-me os pés em Gaza
Doem-me os pés que tenho em Gaza. O poder que junta em fila ameaçadora os tanques de canhões apontados diz que teve o cuidado inexcedível de fazer noventa mil telefonemas a avisar de mais este ataque. Porém, os pés continuam no sítio, pois para onde ir se temos de um lado o mar e do outro quem nos bombardeia?!Afinal, estamos há muito tempo sitiados, permanecer e resistir até à morte é o que fazemos há sessenta anos - aqui em Gaza, sitiados, já não sabemos nem podemos fazer outra coisa. Mas doem-me cada vez mais os pés, há crianças e mulheres de corpos despedaçados pelos mísseis disparados pelos caças que nos sobrevoam e destroem, além de vidas inocentes, hospitais, escolas, templos, armazéns, habitações. Espalham por aqui não apenas devastação e sofrimento, sim também ódio.
Devo estar a pensar com os pés porque imagino que quem comanda o caça e dispara visando os alvos em terra, sendo agora militar a obedecer a ordens superiores, é o civil que sempre foi e há-de continuar a ser, talvez pacífico e simpático, agora porém a atentar contra gente que decerto nunca viu, gente pobre e desarmada, que formiga no chão sobrepovoado quase sem comida, sem remédios, só guerra (para «responder» a uns mísseis artesanais que fazem, suponho, mais estrondo que estragos).
Os rapazes que recebem à pedrada as forças de ordem imposta na rua recebem em troca granadas de gás lacrimogéneo e balas que ferem ou matam. Tapam cuidadosamente os rostos mas, se forem identificados, terão a sorte dos presos (que serão já uns dez mil). Como estranhar se eles, com os pais e avós, vivem naquela terra desde há séculos e dela são varridos pouco a pouco por um poder que dispõe de exércitos, aviões, bombas, tanques, abastecimentos infinitos?
Aquele novo país que nasceu e se vai expandindo mais e mais no corpo de outro país antigo, é ferida a gangrenar-se imparavelmente que espalha pelo mundo a infecção. Quem ali se ergue em luta contra o ocupante, é patriota corajoso e leal: sente na própria carne a tragédia de quantos guardam a chave da sua casa porque não lhes ficou mais nada antes de irem para o exílio na própria pátria ou num país vizinho. Terrorista será quem invade e ocupa, destrói e expulsa ao abrigo de um direito mirífico sem consistência.
Doem-me os pés que tenho em Gaza, a passividade das organizações internacionais perante este outro holocausto, os paninhos quentes das diplomacias cautelosas (pois evitam desagradar ao amigo americano), os fraccionamentos intestinos do povo que o inimigo aproveita. Doem-me até os telefonemas que anunciaram a guerra, golpe de propaganda que só serve a quem está servido. Que mundo é este?
Dilui-se o primado do direito. Pontifica o poder da força.
A propaganda varre dia a dia os noticiários mundiais. Os direitos humanos mais elementares são desfeiteados por quem fica impune. Agudizam-se as contradições e crescem os ódios através da porosidade das fronteiras. O sofrimento mais longo de um povo espezinhado não encontra eco nos corações ditos globalizados. Que mundo este!
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