sexta-feira, 20 de junho de 2008
Mundo velho x Mundo novo
Admiremo-nos: não desapareceram as pessoas que desejam a transformação do mundo, e mais, que nas suas diversas áreas até trabalham para isso. Sem dúvida, essas pessoas todas não estão a querer um mesmo mundo, pois agem conforme as direcções dos seus desejos. Mas todas sabem que o mundo novo a que aspiram tem de nascer e já está a nascer dentro deste mundo velho.Ora este mundo velho está coberto de problemas. O primeiro, agora em flagrante actualidade, é dos mais arrasadores - o preço do petróleo. Nada tem de imprevisto, tão anunciado foi o problema ao longo dos últimos decénios. Para todos os efeitos, o século XX foi o do império do petróleo (com guerras, acomodação de países e regiões a interesses geoestratégicos, expansão dos motores a energias fósseis), tal como o século XXI assinala o fim daquele império com o tipo de economia inerente.
Não são apenas as reservas mundiais da matéria-prima que se esgotam entre manigâncias dos especuladores sobre os preços da energia. É também o equilíbrio ecológico, com o aquecimento do ambiente, que impõe a paragem. Hoje sabemos que precisaríamos dos recursos de três planetas Azuis para continuarmos a poder viver deste modo um pouco mais de tempo – eis um poderoso factor de transformação.
O mundo velho consumia petróleo, o mundo novo quer consumir energias renováveis, não poluidoras. O mundo velho habituou-se ao automóvel privado, o mundo novo prefere o transporte público. O ordenamento dos espaços urbanos também reclama e exige racionalidade: urbes mais concentradas e simultaneamente mais amenas e habitáveis. Os velhos hábitos consumistas têm igualmente que sofrer forte correcção, domesticando a montante a publicidade e até a produção de bens inúteis que alimentam os himalaias de lixos amontoados por reciclar.
Ouve-se cada vez mais o apelo para que poupemos água. É o mundo novo a fazer ouvir a sua voz à saída de um século de incríveis loucuras. Sabe que o futuro é inevitável e que vai tê-lo garantidamente, haja olhos abertos e mundo velho cegueta posto no sossego do museu.
E a alegada «globalização»? Será apenas a da alta finança apátrida e dos negócios chorudos seja como for? Para os norte-africanos e outros imigrantes que se arrimam à Europa fugindo à fome e à miséria, a «globalização» é uma panaceia. Esbarram nos portões de fronteiras muito concretas e reais, apenas o dinheiro gordo que saltita de paraíso fiscal em paraíso fiscal não as conhece por muito que lhe faltem os papéis da legalidade.
Ah, pois, o «terrorismo». Faz tremer o mundo velho, que comprou e continua a comprar matérias-primas a países pobres, fazendo crescer as desigualdades e mesmo as rivalidades fraticidas entre os povos. O mundo novo quer menos desigualdade social e económica para ter mais paz, compreendendo que, onde não reina verdadeira liberdade e justiça, a condição humana vive espezinhada e em revolta permanente.
A gente que continua dentro do mundo velho parece embalada num sonho lindo sem fim. Por favor, acordem-na as pessoas que trabalham para erguer o mundo novo que está a nascer dentro do mundo velho a cair em cacos.
sábado, 14 de junho de 2008
O poder de saber
Como se relaciona o saber com o poder (e vice-versa)? Umas quantas vezes, no fio dos anos, me detive já a ponderar a questão em busca do equilíbrio que não negasse nenhuma das duas instâncias. É equilíbrio difícil, dirá comigo quem reflicta um pouco sobre o que é saber e o que é poder.Regresso à questão sentindo que neste ponto preciso avulta um problema que marca a crise maior do nosso tempo. De facto, o que se nos depara em geral é a predominância (a potenciação) do poder, na medida em que o saber a ele se subordina. Assim, na realidade, se nega na realidade este perante aquele.
O saber colocado ao serviço do poder vive dentro de um compromisso. É um saber condicionado por um objectivo prático, pelo que terá o mérito real que esse mesmo objectivo tiver. Abraçado ao poder que serve, com ele partilhará a sorte.
Evidentemente, nenhuma forma de poder prescinde de saber próprio para se exercer. Cito Michel Foucault: «Não é possível que o poder se exerça sem saber». Porém, que saber será esse? Um certo saber pode adquirir-se tão-só para o exercício de um certo poder (conforme se vê no trivial quotidiano): é o caso do engenheiro que estudou para ter a profissão, do bioquímico que investiga no laboratório a cura de uma doença para a indústria dos medicamentos patentear, do político que militou e se formou no partido para governar o país…
Foucault, no passo acima citado, acrescenta: «não é possível que o saber não engendre poder». Então, vejamos agora, que poder será esse?
O poder, nas suas múltiplas expressões (um império, uma nação principal, um magnata de portentosos recursos), sempre foi precário e muito provisório - o mundo que o diga! Tanta precaridade ainda mais salienta a barbárie em que tantas vezes assenta a construção desse poder. Por outro lado, a ruína de um poder grandioso manifesta tanto mais clamorosamente quão longe, e perdido, andou do autêntico saber.
O autêntico saber não se deixa manipular nem corromper. Desconfia até da força pronta para intervir, talvez da própria vontade de intervir. Recusa, desde logo, o poder pelo poder. Sente que é saber enquanto faculdade livre, actividade poética.
O saber aplicado a fins utilitários compromete-se. Vive a contradição do médico (que recebe o preço da consulta quando, por dever deontológico, deveria tratar o seu doente ainda que ele não lhe pagasse). Nestas sociedades mercantilistas, que tendem a medir tudo pela capacidade material de compra e consumo, escasseia espaço livre para o saber brilhar.
Aliás, se quisermos atinar no ponto certo, concluiremos que o saber se dignifica em verdadeiro esplendor apenas quando se aplica na dignificação e na emancipação da pessoa humana concreta. Na minha ideia, os restantes saberes são plurais. Numerosos e de aplicação especializada, perdem a singularidade.
E eis como, em plena idade tecnológica, estamos no mundo a debater-nos com um défice atroz de saber!
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Idosos descartáveis?
São os velhos. Os velhos que poucos gostam de ver e de aturar – e ainda menos de querer. Estorvam a vida de quem tem pressa. Dão imensas ralações a meter no hospital ou num canto onde alguém os guarde mas que nem assim deixam de dar chatices aos seus descendentes, tão atingidos já pela decadência final dos progenitores.E os velhos multiplicam-se por aí fora quando as escolas primárias fecham e se reconvertem em alojamentos para a terceira idade. A população portuguesa está a envelhecer, é a «revolução grisalha» que também avança por muita Europa. Mas a multiplicação dos seniores portugueses, aparentemente, não reclama nem favorece uma reconsideração social, de resto indispensável, a todos os níveis do problema.
Os costumes não ajudam, longe como estamos da veneração que envolvia outrora os velhos de respeito. Na verdade, a estrutura familiar tradicional enfraqueceu-se e entrou em depressão. Mitos como os da «juventude» e do «consumismo» contribuem para colocar os velhos na condição de supra-numerários no mundo vivo e já sem prazo de validade. Serão por isso descartáveis?
Privados de associação, sindicato ou deputado eleito, os seniores resignam-se. Parecem demais - são «peste»! Vão para onde os mandam e comem a sopa que lhes servem. Os «lares» (eufemismo vulgar) não chegam para atender à procura, sempre uma lista de espera está à espera de quem chama à porta.
É conhecida esta situação, tal como alguns casos isolados, mais ou menos escandalosos, de maus tratos, que por vezes afloram na comunicação social. Mas isso, a bem dizer, é nada em comparação com o que ouvi, de fonte segura, sobre desmandos e abusos diversos gravíssimos praticados em instituições privadas de solidariedade social (IPSS). A fiscalização da Segurança Social, que subsidia os «lares» e à qual compete averiguar as denúncias, registou-os e ordenou encerramentos (e onde vão depois os familiares meter os seus velhos?!)
Prender um mísero deficiente a um poste, ou manter vários idosos num quarto abjecto, coberto de porcarias, maltratá-los ou descuidá-los, pouco pode estarrecer. Porém, estes casos estão longe de ser esporádicos. E não têm comparação com outros, altamente chocantes. Um exemplo: certo utente entregava a sua pensão, a família ajudava, a Segurança Social subsidiava e, tudo somado, o «lar» recebia uns 2.500 euros! Outros exemplos, menos escandalosos, ainda assim, supreendem.
São frequentes as exigências de elevadas quantias para «furar» a lista de espera e receber um novo utente. É dinheiro que entra nas algibeiras da corrupção, garantem-me. Ocorre igualmente a exigência da entrega, por doação, de casa ou outro bem imóvel pelo idoso para que seja recebido. Casos destes alimentam negociatas e esquemas que envolvem directores, comissões fabriqueiras, etc., entre abastanças particulares sumptuosas que contrastam com a penúria dos «lares» que os mesmos dirigem.
Ora as IPSS, declaradas como entidades não lucrativas, por sinal ligadas na maioria a misericórdias e à Igreja, pedem ao Governo melhores apoios. Reclamam do Estado mais e mais «previdência» mas defendem as privatizações com unhas e dentes. E, nas eleições, guiam os velhos a votar no partido que eles sabem…
domingo, 8 de junho de 2008
Miradoiro com ecos
As teclas, hoje, vão descansar? Sinto-me em pousio, não estou para compor, linha a linha, um texto. Escrever o quê?, penso pela enésima vez, duvidando do que irá valer na verdade o meu escrito contra as resistências do mundo. Quem escreve não muda a realidade, opina uma senhora, sem dúvida interessada e culta, num comentário que li agora em outro blogue. Mas, para afirmar a ideia, a senhora também escrevia…
A palavra escrita e posta em público não tem poderes mágicos, é certo, sabemo-lo todos desde que aprendemos a lavar os olhos na água pura da clarividência, por isso repetimos que está escrito tudo o que é preciso para salvar o mundo, falta mesmo só… salvá-lo! E no entanto, quem escreve e publica - podendo embora evocar no seu gesto o homem primitivo que pintava na caverna a cena de caça que pretendia propiciar - intervém afirmando a condição da sua cidadania e toma posições depondo na mesa comum o seu juízo.
Hoje, porém, tolhe-me o cansaço, este cansaço em que me submergem tantas tropelias a correr à solta contra os direitos humanos, contra a dignidade dos povos, contra a inteligência e o simples bom senso lavado de reles interesseirismos. Por algum motivo me espantarão sempre as pessoas, tal como as nações, cuja consciência individual ou colectiva assume a forma e o alcance variável dos seus objectivos egoístas.
Estamos no tempo do pensamento único, que predomina porque vem emanado de cimo (e que por isso contém o selo real da autoridade), já nos habituamos a todos os ataques indiscriminados como estratégia da melhor defesa. É o tempo do unilateralismo, rosto ostensivo do imperialismo. Qualquer causa, ainda que se mostre claramente nefasta, anda por aí a justificar-se com espessas argumentações sem contradita audível e que se impõe pela força bruta das tubas da propaganda. As máquinas dos pregões funcionam a pleno vapor e as multidões encolhem-se atemorizadas.
As ameaças à segurança dos povos e das nações estabeleceram-se como base de uma próspera indústria e, politicamente, isso serve para restringir os espaços de exercíco de cidadania e das liberdades democráticas. A «globalização» expande, diluindo, as fronteiras do «terceiro mundo» até outras áreas, nivelando-as por baixo. A emigração de populações esfaimadas que forçam a entrada em zonas de consumismo e desperdício compulsivo ateia reacções xenófobas e de vesgo nacionalismo.
É possível que, de acordo com uma opinião que parece ir ganhando consistência, estejam a acumular-se semelhanças (ameaçadoras) entre este ambiente geral de crise socioeconómica e financeira e o ambiente que marcou o início dos anos ’30 do século passado. Foi a década da instabilidade social e do desemprego, da propaganda sufocante e da obliteração da inteligência, da ascensão dos fascismos, da guerra civil espanhola, da Segunda Grande Guerra, dos horrores de Guernicas e dos racismos…
Façam o favor de me persuadir: a massa de nuvens negras que avançam pelo céu estão num defeito da minha vista. Mas, à cautela, previnam-se: leiam o post de ontem «A propósito de Vladimir Maiakovski», no blogue Ferroada de Carlos Rebola. Vale a pena!
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Patriotismo futeboleiro
Uma louca vertigem varre o país de lés a lés e, dia após dia, embrulha-o numa onda asfixiante. Televisão, jornais e rádios esbracejam em frenética diligência até à geral sufocação; empresas gritam o apoio tão magnânimo que concedem anunciando-o através das tubas da sua fama, e todos, todinhos no povo raso e mais alguns, não querem ficar-lhes atrás. Rezam mesmo pela vitória dos novos messias que se preparam para salvar a pátria.Andamos bem informados. Sabemos a cada momento onde eles, os novos messias, estacionam, vemos os seus alojamentos, o cozinheiro explica-nos o que lhe dá a comer, depois o seleccionador, o empresário, o amigo do lado, o médico, o jornalista que está lá a ver no meio do grupo de mirones, torna a explicar coisa nenhuma, e sabemos dos treinos, e dos programas, e das peripécias, e de tudo o mais, e etc., sem esquecer o sensacional caso da formiguinha coxa e de outras niquices em desfile interminável.
No campo de futebol temos o modelo perfeito da sociedade capitalista. Vence ali a força competitiva do dinheiro mais musculado. Educativo até à corrupção das regras.
Aos novos messias, grandes atletas, está garantida uma segurança que nem todos os chefes de Estado com menos de cinco estrelas usufruem. Valem uma carrada de milhões, é claro. São deuses! Esperamos deles o milagre redentor nosso.
Aos novos messias, grandes atletas, está garantida uma segurança que nem todos os chefes de Estado com menos de cinco estrelas usufruem. Valem uma carrada de milhões, é claro. São deuses! Esperamos deles o milagre redentor nosso.
E não se vê ninguém a perguntar de onde sai o dinheiro que paga aquela equipa mais os técnicos e quantos a servem, aquela factura toda. Ninguém pára a perguntar-se quanto custa um golo, isto é, por quanto fica cada um metido na baliza dos «outros» e quantos, entre nós, terão de pagá-lo ou já o pagaram. E ninguém parece duvidar que o pé que chutou aquela bola para a baliza tem mérito afirmado para valer, a partir desse momento, mais uns quantos milhões. E o ceguinho ainda menos vai perceber algum dia que quanto mais gente massificada estiver de olhos postos nos espectáculos desportivos, mais os futebolistas vão valer no mercado dos jogadores (tal como os actores do cinema ou da televisão ganham conforme as suas audiências).
Teremos de concordar com os orquestradores de serviço nesta campanha embrutecedora. É preciso convencer o povo de que aqueles novos messias vão salvar a pátria. Basta a vitoriazinha, um golo certeiro. Instalemos portanto no país um patriotismo futeboleiro (depois de alterarmos as feições do sentimento patriótico): na era da «globalização» temos empresas, temos privatizações, não resta mais «país», «nação»...
Que portugueses se preocupam agora, nesta asfixia, com o derradeiro escândalo a eclodir no país? Com a situação dos sistemas da Justiça, da Educação, da Saúde, reconhcidamente essenciais ao Estado democrático? Quem vai perguntar se a Polícia Judiciária, por exemplo, tem reais meios para operar contra os grandes piratas modernos? Alguém irá erguer a voz e perguntar se a pátria tem viabilidade económica ou se estará a afundar-se enquanto prossegue este baile?
Ora! Esperemos o milagre. Basta um golo certeiro e a vitória será nossa. E a pátria será salva! Viva o patriotismo da bola, de bandeiras ao vento nas janelas e nas varandas! Viva!
Teremos de concordar com os orquestradores de serviço nesta campanha embrutecedora. É preciso convencer o povo de que aqueles novos messias vão salvar a pátria. Basta a vitoriazinha, um golo certeiro. Instalemos portanto no país um patriotismo futeboleiro (depois de alterarmos as feições do sentimento patriótico): na era da «globalização» temos empresas, temos privatizações, não resta mais «país», «nação»...
Que portugueses se preocupam agora, nesta asfixia, com o derradeiro escândalo a eclodir no país? Com a situação dos sistemas da Justiça, da Educação, da Saúde, reconhcidamente essenciais ao Estado democrático? Quem vai perguntar se a Polícia Judiciária, por exemplo, tem reais meios para operar contra os grandes piratas modernos? Alguém irá erguer a voz e perguntar se a pátria tem viabilidade económica ou se estará a afundar-se enquanto prossegue este baile?
Ora! Esperemos o milagre. Basta um golo certeiro e a vitória será nossa. E a pátria será salva! Viva o patriotismo da bola, de bandeiras ao vento nas janelas e nas varandas! Viva!
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Queres cultura? Pimba!
Invenção do nosso tempo, supremo requinte: temos programadores para programar «cultura». Que «cultura»? Cá pelo burgo invicto, uma empresa municipal diz-nos o que é, basta ler a «agenda cultural» para Maio-Junho nesta cidade gloriosa que foi capital europeia de cultura em 2000.O rectângulo de papel, em estilo convite, apresenta o programa de um mês e vale a pena lê-lo. Temos ali o panorama dos eventos agendados e temos mais, a noção de «cultura» que reina no Porto feliz. Levado a balança de alta precisão, quase nos faz ouvir, sonora e campanuda, a troça: Queres cultura? Pimba!
O programa anuncia desporto e animação: provas de ténis de veteranos e benjamins, jogos tradicionais, festa de flores (onde a Primavera?), viver sem tabaco, caminhada pela paz, exibição de skates e de surf, festa para crianças, corrida pela encosta do Codeçal e Guindais, natação, pólo aquático, voleibol e futebol, tudo para ver, mais corrida nas festas da cidade (23 de Junho), e muita música para ouvir e aturdir os ouvidos em vários dias e locais. Um mês em cheio! Espectáculo!
Mas isto é «cultura»?, estranhará o dissonante. Calma! O programa inclui mais alguma coisinha, afinal é o mês das festas da cidade, vamos pôr colgaduras nas janelas e pôr a luzir as jóias da arca. De notar o Festival Indie, que vem de Lisboa em extensão; e o FITEI, festival de teatro do Seiva Trupe, e ponto final. Resta o circuito das galerias na Miguel Bombarda e a tenda dos livros em saldo na praça…
Nada mais consta da «agenda cultural» do município administrado pelo senhor que dois erres tem no nome. Que é pessoa de vibrante afeição à Cultura se sabe desde que gasta o que gasta com corridinhas de avionetas sobre o rio e desfiles de automóveis antigos!
Evidentemente, andam a pregar por aí uns fulanos que têm da Cultura umas ideias bacocas. Teimam que Cultura é a das letras e das artes, veja-se só tanta falta de pós-modernidade. Pois damos-lhe a resposta: Pimba!...
…E não desceu ainda do céu alma caridosa que explique ao senhor dos erres que, onde se declara «tudo é cultura», logo também se declara, em pura lógica, que «nada é cultura» e, portanto, se torna necessário e até urgente inventar a Cultura autêntica e o legítimo lugar para ela.
Acresce o seguinte: em geral, as pessoas dignificam-se e valorizam-se, não com pimbalhices, sim com vivências de Cultura autêntica.
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