Os livros no suporte de papel, entenda-se. Deixámos há tempo de ouvir a interrogação algo alarmada ou alarmante, mas estamos agora a tê-la de regresso. Puxamo-la para título vendo as mudanças a precipitar-se: mal estremunhamos e já estamos de partida para outra.É verdade, acreditei sempre que os livros de papel iriam sobreviver à era da informática, adaptando-se à nova tecnologia, com tanta convicção como hoje me recuso a profetizar o fim dessa «máquina de ensinar» (Marshall McLuhan). Mas anunciam-se transformações notáveis.
Desde logo, a situação actual pede correctivo. O acesso à compra dos livros que nos interessam nas livrarias, quaisquer que sejam, ficou difícil e, por norma, inviável. Nas livrarias e outros postos de venda encontram-se as novidades do dia, da semana ou, com alguma sorte, do mês passado pois não sobra espaço nos escaparates e nas prateleiras para muito mais. E a livralhada, adquirida fora dos saldos, sai-nos cada vez mais cara.
Eis o motivo por que se expandem em ritmo crescente os catálogos online e as vendas de livros em formato digital. É via cómoda, rápida e, além disso, bastante mais barata sobretudo se o adquirente poupar a respectiva impressão em papel. Bem avisado, talvez até já possua um leitor de e-books, aparelho electrónico que requer designação genérica em português.
Trata-se, como sabemos, de uma caixa portátil, com ecrã de plasma, dotado de memória que permite a descarga, através do computador, e posterior eliminação, de uma quantidade enorme de volumes digitalizados. São virtuais, não pesam e não ocupam espaço. Além dos textos, podem ter imagens e mesmo sons (se tal for preciso). Frases, palavras ou páginas podem ser sublinhadas, realçadas a marcador, e o usuário pode folhear a obra, tomar notas à margem, além de aumentar ou diminuir o tamanho das letras, o brilho do ecrã, etc. Encontram-se no mercado vários modelos de marcas diferentes.
Um rápido relance permite avaliar o impacto que estes agora ditos e-books estão destinados a provocar. Previsões seguras e sem risco: vão multiplicar-se as edições de livros em formato digital, já não em papel, para venda online. Vão rarear as livrarias resistentes e subsistir as edições tradicionais apenas de obras «especiais», destinadas a um público apreciador residual. Algumas editoras irão especializar-se no formato electrónico com lançamentos apenas através da Internet.
Quem visiona este próximo futuro compreenderá claramente a corrida que houve para a compra e concentração em poucas mãos das principais casas editoras nacionais. Os compradores corriam para os seus catálogos, os seus fundos editoriais. Esses «conteúdos» prometem fazer andar o negócio seja na Europa seja na América. Os «saberes da humanidade» vão alojar-se numas poucas bibliotecas digitais mundias -- a BDM, a Europeana, a Google Book - e, como diria La Palisse, quem nelas não entrar fica de fora. [Clique na imagem para ampliar.]





