domingo, 13 de junho de 2010

Em defesa da biodiversidade

Nos campos natais da minha infância via espécies de flora e fauna que desapareceram há tantos anos que hoje já quase ninguém lembra. E, façam o favor, serão três quartos de século assim tantos anos? É a duração média de uma vida na atualidade, quando, por contraste, aumenta a extinção de espécies, imensas variedades de plantas e bichinhos que nem chegam a ser conhecidas e estudadas.
Sabemos, porém, que o equilíbrio natural assenta em sistemas de extrema delicadeza e complexidade e que a intervenção humana não cessa de os agredir como se o equilíbrio natural estivesse garantido no céu contra todos os riscos. É um comportamento irracional, ameaçador e suicida, que se estende ao planeta todo. Governantes e poderosas multinacionais dispõem do mundo como senhores absolutos e até ousam autorizar a introdução de mais e mais organismos geneticamente modificados (OGM) estando longe de conhecer todas as consequências desses actos.
A biodiversidade está em crise  e, curiosamente, não apenas no interior da natureza ameaçada. Também na esfera do social avança um processo idêntico. A diversidade humana das opiniões está a ser esmagada no terreno das mentalidades pelo rolo compressor do Pensamento Único.
Efetivamente, torna-se não menos necessária, pois é mesmo imprescindível, uma biodiversidade de ideias correntes para garantir a renovação da vida. Ora não é isso o que podemos ver. De telecomando na mão, percorremos cinquenta ou mais canais de tv por cabo e a monotonia é total: os canais de notícias dão  informações idênticas e os outros, de «género» (desporto, cinema, música, infantil, etc.), especializaram-se tão a preceito que ficaram previsíveis de tão repetitivos.
Os jornais e revistas entraram na onda. Imitam-se uns aos outros de tal jeito que o discurso da informação nem atina como pode renovar-se para adiar a morte que a descida constante das tiragens anuncia. Mesmo a edição literária trabalha bastante nesse sentido, depois de banalizar o livro transformando-o em vulgar mercadoria consumível pelo mercado.
Na ordem social reinante, assim conformada, evitam-se temas e questões incómodas, polémicas, trabalhosas. Discutir, sim, apenas o campeonato de futebol e coisinhas familiares, pacatas e pacíficas que felizmente animem a malta e desatem as línguas açaimadas.
Insulta a mediocracia do ambiente quem aparece a saber algo mais do que o vulgo sabe. Quem mostre duvidar, por exemplo, que Hugo Chávez não é um ditador, que o Irão mente porque quer ter bombas nucleares (para defender o seu petróleo teimando em o trocar por euros?), que a Coreia do Norte ameaça muito mais do que o presidente deposto do Haiti... com certeza não acredita na Casa Branca e no Pentágono. Pratica um sacrilégio. Porque na ordem social reinante toda a gente sabe distinguir os regimes e países que são declarados amigos e democráticos, dignos de simpatia, graças às ideias  superiormente postas a correr. A gente, assim de cabeça feita, nem precisa mais de pensar!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

O povo eleito por Deus

O argumentário de uma posição que se pretenda englobante sacrifica aspectos tidos como dispensáveis para, acima das controvérsias, afirmar a questão essencial que lhe importa. Porém, uma opinião pessoal é livre. Solta a voz sem atender a conveniências e aponta a eloquente verdade de factos.
Na antiga Palestina, tudo se carrega de idade e de história, tudo se enreda, mistura e complica. Daquele cesto, pegar numa cereja mexe facilmente com um passado de três mil anos. Interesses contrapostos acendem os conflitos.
Existem, todavia, factos indesmentíveis que resistem e perduram e que nenhuma máquina de propaganda das mais poderosas consegue esconder. A criação do Estado de Israel advém do projeto sionista concebido por Theodor Herzl, autor do livro «O Estado Judaico» (1895, em inglês no ano seguinte), e mentor do primeiro congresso sionista em 1897. Raiou então a ideia de criar uma pátria na Palestina para o Judeu Errante (em diáspora desde a Idade Média).
Ben-Gurion e outros, aproveitando conjuntura favorável (o famoso Holocausto), fundaram Israel em 14-05-1948. Mas os novos cidadãos daquele Estado saíam das suas pátrias, que abandonavam, e obtinham dupla nacionalidade. Desde então, os palestinos viram chegar, ao país multissecular que era deles, levas de estrangeiros em número crescente e foram sendo escorraçados das suas casas, das suas terras.
Eram israelitas, hebreus, judeus? O povo do Talmude? Distingue-os a religião hebraica?
Com o Livro na mão, os invasores ocuparam pouco a pouco a Palestina e acabaram por riscá-la de todo do mapa. Com o direito, divino, conferido pelo Livro. É sagrado, declara-os povo eleito por Deus... e Deus, mesmo para monoteístas, não é só um.
Quatro milhões de palestinos tiveram de fugir para o exílio, levando consigo, por vezes, apenas a chave das suas habitações. Com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia ficaram sob ocupação militar. Na Cisjordânia alastram os colonatos ilegais.
O terreno vai sendo dividido por um outro «muro da (des)vergonha». Em Gaza, mais de um milhão de habitantes, depois de bombardeados, resistem a um bloqueio terrestre, naval e aéreo que é imoral, criminoso, intolerável. Como entender tanta luta pela terra (santa) com armas desiguais e violência descomedida?
O assalto, com mortos e feridos, a dois barcos a caminho de Gaza com ajuda humanitária, em águas internacionais, é crime gritante que não pode ficar impune. Mostra toda a prepotência de uma política apostada em dizimar um povo oprimido, sitiado e espezinhado por força bruta. A indignação e a revolta tornam-se aqui um dever de consciência. 
Consta que Israel possui centenas de bombas nucleares. A explicação, porém, estará no «amigo americano», que dá dinheiro e apoio político tão incondicionais que até já perguntam quem manda em quem. Todavia, a forma como foram tratados os índios americanos pode ser inspiradora...
Eis-nos, assim, transportados do século XXI para um tempo miserável (sem lei), bárbaro e selvagem, que permite e legitima conquistas feitas a ferro e fogo na cara da humanidade estupefacta.

domingo, 6 de junho de 2010

Bloqueio de Gaza: violência e vergonha

O ataque mortal de Israel à frota de barcos humanitários que iam em direção a Gaza chocou o mundo.
Israel, como qualquer outro Estado, tem o direito a defender-se, mas isso foi um uso abusivo de força letal para defender o bloqueio vergonhoso de Israel a Gaza, onde dois terços das famílias não sabem onde encontrar a próxima refeição.
As Nações Unidas, a União Europeia e quase todos os outros governos e organizações multilaterais têm pedido a Israel para acabar com o bloqueio, e para lançar uma profunda investigação sobre o ataque à frota. Mas sem pressão maciça dos seus cidadãos, os líderes mundiais vão limitar sua resposta a meras palavras – como já fizeram tantas vezes.
Vamos gerar um clamor global tão alto que não possa ser ignorado. [Está em curso uma] petição para exigir uma investigação independente ao ataque, a responsabilização dos culpados e o fim imediato do bloqueio à Gaza. A petição será entregue às Nações Unidas e aos líderes mundiais assim que alcançar 500.000 nomes – e novamente a cada oportunidade, à medida que a lista for crescendo e que os líderes forem reagindo à situação. Uma petição massiva num momento de crise como este pode demonstrar aos que estão no poder que declarações e notas à imprensa não são suficientes – que os cidadãos estão prestando atenção e demandam ações concretas.
Enquanto a União Européia decide se irá expandir as relações comerciais com Israel, e Obama e o Congresso Americano definem o orçamento de ajuda militar a Israel para o ano que vem, e vizinhos como a Turquia e o Egito decidem os seus próximos passos diplomáticos – vamos fazer com que a voz do mundo não seja ignorada. É tempo de verdade e de responsabilizar os culpados pelos ataques aos navios, e é tempo de Israel respeitar o direito internacional e acabar com o bloqueio a Gaza.
A maior parte das pessoas em qualquer lugar ainda compartilha o mesmo sonho: que haja dois Estados livres e viáveis, Israel e Palestina, que possam viver em paz lado a lado. Mas o bloqueio e a violência usada para o defender envenenam este sonho. Como um colunista israelita escreveu para os seus compatriotas no jornal «Ha’aretz», “Nós não estamos mais a defender Israel. Nós estamos agora a defender o bloqueio (a Gaza). O bloqueio por si só está a tornar-se o Vietnam de Israel.”
Milhares de ativistas pela paz em Israel protestaram contra o ataque e o bloqueio, em desfiles de Haifa até Telaviv e Jerusalém – unindo-se aos protestos em redor do mundo. Independente de que lado atacou primeiro ou deu o primeiro tiro (o exército israelita insiste em dizer que não foram eles que iniciaram a violência), os líderes de Israel mandaram helicópteros armados e tropas pesadas para atacar um comboio de navios em águas internacionais, que levavam remédios e ajuda humanitária para Gaza, gerando mortes desnecessárias como conseqüência.
Não podemos trazê-los de volta. Mas talvez, juntos, possamos fazer deste momento trágico um ponto de viragem – unindo-nos num apelo por justiça inabalável e um sonho de paz inviolável. [Texto, aqui com pequenas emendas formais, distribuído pela equipa Avaaz, endereço: http://www.avaaz.org].

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Um pouco de história da economia

Está na ordem do dia, vamos falar economês. A crise manda! E assim, com tantos entendidos a botar figuras de estilo no barquinho a naufragar, talvez haja cabide onde pendurar umas ideias porventura instrutivas tiradas da arca para as arejar ao vento que passa.
A proclamada ciência económica neoliberal entrou em descrédito enquanto ciência na medida em que o mercado demonstrou não ser capaz de se autorregular. É um monstro à solta, os seus teólogos não podem mais rezar em adoração sem cair em cega idolatria. E, muito menos, considerar a existência do mercado como condição básica de uma autêntica democracia.
Nunca o mercado foi requisito ou sequer expressão da democracia. Resultou da expansão e desenvolvimento do capitalismo, matéria estudada a fundo por um senhor barbado que publicou um manifesto em meados do século XIX ainda hoje causador de insónias a uns quantos patrões que dormem sob dossel de oiro. Matéria essa depois continuada, no século XX, por um outro senhor que, em jeito de previsão, anunciou que a fase suprema do capitalismo seria o imperialismo.
Terá acertado plenamente na mosca, é o que iremos ver no desfecho desta crise. Para já, sem dúvida, estamos no tempo dos cruciais dilemas. Profundas e dramáticas mudanças se acumulam no bojo violento da tempestade que ameaça varrer esta desgraçada (des)ordem do mundo e está a explodir.
Em crise, principalmente, está a teoria neoliberal que colocou o mundo nesta situação de ruptura. Subverteu conceitos essenciais da economia real, escondendo sob aluviões de propaganda asfixiante o que contrariasse a teoria. Atrelou-se ao deus-mercado e passou a explicá-lo como doutrina religiosa servida por catequistas.
Precisamos agora de recordar um pouco de história da economia. A noção atual de «mercado» é relativamente recente. Remonta a A Riqueza das Nações (1776), de Adam Smith, obra que por sinal provocou a «resposta» de Leo Huberman, com A Riqueza do Homem - para repor o Homem por cima do das Nações - e, entre muitos outros, de Gunnar Myrdal, economista sueco, Nobel em 1974, autor de O Estado do Futuro.
Uns conceitos de teoria económica reelaborados nos anos '30 por John M. Kaynes foram banidos pelo neoliberalismo, mas aqui e agora importa sobretudo lembrar que, até Adam Smith, a economia foi tema de abordagem ética. Rendas e juros eram condenados como indignidades ofensivas do comportamento honroso, algo como exploração excessiva, imoral e desumana. Receber rendimento das suas terras ou juro do seu dinheiro emprestado era vileza de quem por egoísmo assim se colocava à margem da ordem social.
Importa-nos hoje apreciar a evolução geral das mentalidades que desde a eclosão do mercado se verificou, ou seja, a adaptação da ética (e mesmo da religião: lembre-se o «pai nosso» emendado) a um padrão absolutamente diverso, porque aí se manifesta e evidencia o facto clamoroso: a expansão e crescimento do capitalismo implantou no mundo a desumanizar-se a regra da força maior campeando sem lei e a violência da barbárie. A fase imperialista ampliou o fenómeno até à desmesura imposta e convicta.
Ora a economia tem de reassumir capazmente a ética para se legitimar. Mas não só a economia, também a política e as atividades sociais em geral precisam da ética para negar a ganância que carateriza o neoliberalismo de modo a restaurar o valor do humano contra a violência e a barbárie à solta. Não há outro caminho. [Ilustração: de autoria desconhecida.]

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A obra também lê o leitor

Um texto literário não se deixa apenas ler, sabemo-lo. Na medida em que é lido transforma-se numa espécie de espelho e quem o lê sente-se interrogado. O leitor, em resposta, define-se explicando como lê quem é.
Ler implica assim uma interação gerada entre um e o outro, apostos num diálogo que expõe o leitor depois do autor publicado. Verifica-se então que a leitura, ou releitura, exercita a liberdade interpretativa vivificadora do texto coisificado. Os sentidos não estarão apenas na obra aberta, também de algum modo se anunciam no leitor.
Enfim, o que uma obra mais pede e agradece é que o leitor a reescreva para si. Ora é isto mesmo que um livrinho meu, de contos, está a merecer no blogue de Jorge Candeias. Este escritor, com largo percurso na Net e óbvia inclinação para as designadas ficção científica e literatura fantástica, atentou n'O Vírus Entranhado (Campo das Letras, 1999) e começou em Fevereiro a editar breves apreciações a cada conto do volume.
Primeira nota de agrado que me deu a recolher: trata-se de um blogue onde se comentam ficções daqueles géneros. Logo saltou a segunda: Jorge Candeias escreve bem, num estilo correto, vivo e desembaraçado. Gostei ao ponto de incluir nos «Outros blogues», aqui ao lado, o atalho (endereço: http://lampadamagica.blogspot.com/).
Todavia, Jorge Candeias não me poupa. Prefere falar claro e faz muito bem, só tenho que agradecer. Começou pegando em «O candidato» numas linhas de que destaco: «É um bom conto mainstream, que além de estar bem escrito está também bem concebido e reflete, desta vez com subtileza, sobre a natureza da atividade jornalística. Bem melhor do que vários dos contos anteriores.» (Data: 01-02)
Considerou «Ponte franca» a seguir: «é um conto mainstream e epistolar.» Acrescenta: «É um conto irónico e bem concebido e executado. Um bom conto, portanto.» (em 15-03)
Mas Jorge Candeias tem gosto formado, sabe ser exigente. «A verdadeira história de uma descoberta» teve restrições: «o conto tem esse tipo de fantasia surrealista. E é bastante interessante até chegar ao fim. O problema é o fim. [...] Não é um fim em aberto, mas uma história abandonada naquele ponto.» (em 21-03) Quererá ele terminá-la?
Chegou a vez de «O jardineiro descalço»: é um «conto vagamente fantástico»... Mas «o fantástico que há no conto é mais questão de ambiente do que de outra coisa qualquer.» «Muito todoroviano.» (em 06-04)
Vi mais dois contos apreciados. «Toda a nudez»: «Lírico e alegórico»... «literatura simbólica», da qual diz que não gosta muito, embora não desgostando (em 12-04); e «O vírus entranhado», que dá o título ao volume: «conto completamente alegórico»... «achei-o bastante fraco, um dos piores do livro» (em 19-05).
Somo seis referências e a colectânea tem 13 contos - número aziago? - logo, esperemos outras apreciações. Entretanto, eis-me feito autor de literatura fantástica com aquelas histórias muito metafóricas escritas ainda nos anos '80 e comentadas em 2010 por autor que se declara um pouco avesso à linguagem simbólica. Decerto foi atraído pelo vírus legível na capa (lembro: não aprovada por mim, disparate na editora em pausa de férias). [Ilustração: por Louis M. Moll.]

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Da República à Democracia por vir [3/3]

Os défices orçamentais crónicos (que se transformaram em arma de arremesso contra as classes médias em tantos países atolados em dívidas «convenientes»: justificam os impostos sobre rendimentos individuais e constantes privatizações), pedem criminalização. De outro modo, as classes médias nacionais aparecerão ainda mais em evidência como os principais suportes pagantes de cada Estado. Com suficiente intervenção estatal, as economias têm de voltar a ser produtoras de bens de consumo, largando os gordos lucros da especulação financeira. A conservação do meio ambiente deverá abrir-se para a utilização correta dos recursos naturais.
Uma sociedade de integral ou avançada Democracia tem garantidas nessa matriz as melhores condições de paz e desenvolvimento. Rejeita as deslocalizações ávidas de mão de obra pouco menos que escrava e o neoliberalismo, tal como rejeitará as indústrias de guerra, a militarização do espaço. Em suma, os políticos eleitos para os órgãos do Estado têm que pôr as mãos na condução da economia, reconhecendo que o mercado nunca soube auto-regular-se. Exijam por palavras e atos o acompanhamento constante de uma opinião pública enérgica, esclarecida e criteriosa, por mais que isso requeira, a prazo, uma reforma cabal das políticas, desde logo escolares, geradoras do estendal instalado de conformismos e mediocridades.
É tempo de sairmos de vez do século XX, limpando os pés e recolhendo os ensinamentos que o passado nos deixou de mistura com os sofrimentos; é tempo de encetarmos a nova centúria com a decisão clara de vivermos por fim um período de paz e fecunda estabilidade… em nome da civilização. Deparam-se-nos amontoados de problemas ingentes e de impasses cruciais. A regra dos três RR (reduzir, reciclar, reutilizar), por exemplo, pode ser bem-vinda se vier a espelhar atitudes coletivas de recusa a consumismos e comodismos fáceis. E há muitas outras opções sérias a fazer, rupturas e mudanças dramáticas à espera no plano das ideias, das mentalidades e dos comportamentos gerais.
Sem dúvida, levantar-se-ão as forças de bloqueio habituais contra qualquer esforço de autêntico progresso humano. Mas os imperativos das novas realidades dispõem de voz para falar mais alto em cada situação. Os políticos e os governantes que pretendam legitimar-se perceberão com inteligência que o discurso-modelo terá que mudar de registo para conquistar a adesão lúcida dos eleitores. Sairão prestigiados tanto mais quanto conseguirem abolir a mera propaganda e falar verdade, a comesinha verdade dos factos, sem manipulações. Neste limiar do século XXI aberto em crise, abre-se lugar para a esperança.
De facto, os desafios do presente mostram-se rotundamente dilemáticos. Haverá obstáculos a transpor, desvios, atrasos (a concentração da riqueza no topo atinge cotas explosivas). Mas as sociedades democráticas republicanas acabarão certamente por aprofundar essa sua matriz, demonstrando na prática o que guardam no seio - um projeto de virtualidades inesgotáveis, pronto para inaugurar um esplendoroso futuro. E, finalmente, a política irá recuperar do atraso e acertar o passo com a história.