terça-feira, 17 de maio de 2011

Notícias abundam, informação falta

Entre o cidadão e os acontecimentos mais sérios erguem-se paredes de crescente opacidade. Todavia, esses acontecimentos trazem consequências graves para cada cidadão e a vida coletiva em geral. Ora o cidadão, privado de informação esclarecida e esclarecedora, fica também privado de elaborar uma opinião sustentável sobre cada assunto... sendo esta a condição primeira da cidadania.
Generalizou-se portanto a atitude característica do «juízo suspenso» que alimenta nas massas o conformismo e a resignação. Chegámos ao ponto em que é normal não se ter opinião própria quanto a vastas gamas de problemas sérios como os ligados aos atos da governação do país ou quanto a acontecimentos dramáticos de grande relevo internacional. E eis-nos atolados na contradição: os banhos noticiosos diários deixam os cidadãos no escuro do que mais lhes importa.
De facto, a informação não é notícia (mercadoria de consumo rápido), embora esta sirva àquela. Portanto, navegando em plena maré cheia noticiosa, declara-se um défice clamoroso absolutamente nada democrático: sobram as notícias postas a correr mas falta informação, elemento indispensável à formação de opinião privada ou pública.
Veja-se um caso, o estendal (insondável?) de dívidas contraídas pelo Governo português e os bancos, as autarquias, empresas, equipas de futebol, famílias. A única «explicação» que o fenómeno vai tendo limita-se a responsabilizar a «crise vinda de fora», o que não explica nada. Interrogação espantosa: para onde foram esconder-se as riquezas que eram do país? Evaporaram-se?
Outro caso (não menos espastoso). Alguns países da NATO, a reboque dos EE.UU., resolveram impor a interdição aérea e bombardear um país soberano e o seu povo, alegando fins humanitários: proteger os grandes «libertadores» lá do sítio que se revoltaram - de armas na mão - por sinal (olha a coincidência!) a partir da cidade central da exploração petrolífera do país que logo lhe passou para as mãos. E agora, o Governo atacado e o seu povo, que se defenderam dos ataques  dos civis armados, são acusados pelos «libertadores» por se defenderem e estão sem poder mexer nos capitais investidos no estrangeiro.
Só mais um caso, o da anunciada morte de Bin Laden, no Paquistão. As versões do acontecimento resultam tão contraditórias que se anulam reciprocamente e ficamos sem atinar no que de facto aconteceu. Estaria o homem ainda vivo? E seria ele real? Ali, naquela casa? Como entender o comportamento dos governos envolvidos na condenação à pena capital sem qualquer julgamento?
A nuvem de suspeitas geradas em torno do 11 de Setembro, que tanta (in)segurança motivou, torna a adensar-se neste ambiente de suspeições, caldo pútrido de ambiguidades em que ressurge a teoria de que o ataque com aviões que atingiu a nação americana se deveu a maquinação conspirativa ainda escondida. Numa primeira abordagem, parece óbvio que a opacidade que rodeia os mais sérios acontecimentos do nosso tempo, sendo desmobilizadora da participação cidadã lúcida e consciente, resulta do falhanço da missão a que se votou a comunicação social - informar. Mas quem conhece a situação do jornalismo atual (como se pratica), não pode evitar um sorriso amarelo, desconsolado, para depois, enfim, assentir: esta informação, intoxicante e manipuladora, realmente não presta.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O cronista assaltado

Para que lado há-de virar-se? Os golpes e as pancadas chovem de todas as direções por cima dele, é a calamidade do século a jorrar como chuva de inverno e o pobre a senti-la por todo o corpo, sobretudo nas costas doridas, atacadas à traição. Sem forças já para abrir a boca e soltar o berro, morde a mordaça.
Todavia, mesmo sob a chuva das agressões - e cada uma pedia um grande berro descrito em crónica - o amordaçado cresce em espanto e maravilha. Este povo do país não pára de o surpreender. Uma parte, a mais idosa, conheceu a ditadura mas esqueceu-a nuns poucos anos de ensaio democrático; a outra parte, mais nova, teve a sorte de não ter conhecido o racionamento, a censura prévia e a polícia política, mas o resultado é o mesmo.
Perante as sondagens que andam a ser divulgadas das tendências eleitorais populares, porque outro plebiscito se aproxima, resulta inquestionável a conclusão: o povo continua agarrado às políticas de direita e a virar a cara às da esquerda (pois «comunista» é a esquerda que resta). Aguenta com toda esta pancada no lombo e insiste e teima e vota nos seus mesmíssimos partidos. Dizem-lhe da esquerda que esta crise de gravidade excepcional (crise das dívidas pública e privada e tudo o mais de roldão) resulta das políticas impostas pela direita, que têm vindo a governar o país, o povo conviveu dia a dia com a verdade e...? O povo parece agir como os ratos hipnotizados por Hamelin. Sob o ribombar desta tempestade consegue escutar a música dos políticos enquanto vai correndo para a fundura -  é um povo cego e surdo, ou então está encantado. Veja-se então como outros ratos votam!
Os seus políticos prometem deixá-lo com menos hospitais e centros de saúde, menos escolas públicas, menos deputados e funcionários estatais (que têm a missão de o servir)... e o povo tudo admite. Os seus governantes prometem sobrecarregá-lo com mais impostos, e desemprego, e recessão económica, e desordem social, e carestia de vida... e o povo acolhe e apoia, votando conforme sempre votou. Como vai o povo assim fazer-se respeitar, merecer melhores políticas, melhor país?
As políticas de direita vergam Portugal, nove milhões de votos, números redondos, amordaçam a voz de um milhão. Obrigam a privatizar as derradeiras entidades públicas ainda apetitosas para a boca dos financeiros de olho alerta no que lhes pode valer. O Estado, crivado de dívidas, fica sem mais nada para salvar os dedos e então chega a hora da verdade.
Entregue à ganância dos especuladores financeiros, as riquezas do Estado deixam-se devorar pela minoria privilegiada que sempre procurou lucrar à sua sombra. Os impostos continuarão a suportar os custos do funcionamento do Estado, mas pagá-los-á o povo, essas ditas classes médias, porque outra coisa quem manda não consentiria. Logo, é o povo que vai continuar a fazer todos os sacrifícios a troco de uma qualquer mísera cenoura da «política social».
Anunciam os presságios ao que vai dar este caminho. Endividada até às fraldas, a nação será pertença exclusiva da arraia miúda que o Estado tratará como servos. Lembram-se dos servos da gleba do feudalismo? [Ilustração parcial de uma das mais antigas edições da história de Hamelin. Clique para ampliar.]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cidades modelo XXI

Duas evoluções marcam o nosso tempo: os espaços rurais estão a sumir-se dos mapas e crescem em número e tamanho as cidades. São evoluções paralelas, pois a população que se aglomera nas grandes urbes é em grande proporção a que sai dos campos em busca de outra vida. Por isso as cidades se expandem continuamente enquanto os espaços agrícolas e florestais desaparecem transformados em zonas suburbanas e urbanas e, tantas vezes, uma cidade antiga fica no centro de uma constelação de cidades-satélite.
Tanta acumulação demográfica em espaços restritos origina consequências cuja extensão e gravidade escapa à percepção corrente. Longe vai o tempo em que a abordagem sociológica detetava na cidade o fenómeno da massificação na forma da dita «solidão em comum» e a grande novidade eram as megalópoles. Hoje precisa de colocar no devido relevo o movimento que transforma massas de camponeses e aldeões em suburbanos ou citadinos.
Os antigos habitantes das pequenas comunidades rurais que se deslocam e promovem o crescimento geral da população urbana perdem, na mudança, o contacto com o seu tecido social relacional e alguma liberdade. Eram conhecidos, tinham «um lugar» e participavam da rede das diversas solidariedades. Dentro da massificação citadina, tendem a mover-se no estreito círculo familiar e do local de trabalho, tornando-se gente anónima até para os moradores do seu mesmo prédio.
Naturalmente, a população que vive imersa em grandes cidades já conhece bem a situação pois a partilha. Os recém-chegados, porém, estabelecem o contraste. Sentem a atomização, cada pessoa reduzida à expressão de si própria, o individualismo e o egoísmo aplicados como regras de sobrevivência.
De facto, as grandes cidades modelo XXI tornaram-se espaços concentracionários, com influências poderosas e vastíssimas sobre as populações embora pouco visíveis ou evidenciadas. Além de extinguir as tarefas manuais quase todas, restringindo as atividades a premir teclas e botões sob pressão do relógio (que marca segundos ou minutos, não horas rurais), os habitantes apinhados numa grande cidade suportam um conjunto de variadas dependências. Deixaram de poder baixar a mão sobre os frutos do seu trabalho e agora precisam do automóvel, dos transportes públicos, do supermercado, de espetáculos e de tudo o mais que a urbe lhes proporciona e os habitantes não dispensam.
As dependências citadinas agravam-se porque, sem vizinhanças com teor relacional, os habitantes das grandes cidades ficam, em passividade, expostos à comunicação dos media. Fácil é então manipular uma população massificada, especialmente quando o discurso dos media segue o modelo vigente da domesticação. Da conjugação destas dependências resulta o que uma abordagem sociológica competente poderia enunciar.
Por ora, apontando meramente o tema, vem-me à memória um powerpoint que circulou na Net com uma expressiva metáfora: explicava como domesticar porcos selvagens, atraindo-os com comida para a cerca onde acabavam por ficar presos e com dono. Não somos porcos nem selvagens, mas somos domesticáveis. E, como a rã da fábula de Olivier Clerc, até nos deixamos adormecer, quietinhos, na panela que nos coze em fogo lento. [Na foto: escultura de Lorenz Quinn.]

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A origem das espécies

Levou vinte anos a decidir publicar o livro que ficou como a sua obra fundamental. Previa a avalancha de reações adversas, nada científicas, que ia desencadear com a tese que propunha e não se enganou. Por fim, arrostando com preconceitos, insultos, propagandas malévolas e conservadorismos doutrinais, Darwin apareceu a defender A Evolução Natural.
Era o corolário dos estudos iniciados na viagem que fez a bordo da «Beagle». Durou quase cinco anos, até 1836, e deu a volta à Terra. Mas Darwin esperou até 1859 para lançar as bases científicas que permitiram ao mundo culto compreender o fenómeno da diversidade biológica.
Demonstrou que as espécies existentes provêm de um ancestral comum, assinalando ao mesmo tempo o papel da seleção natural. A obra emocionou os setores cultos e revolucionou as opiniões. Hoje, corrido século e meio sobre a primeira edição do seu livro, pode dizer-se, com inevitável tristeza, que os preciosos contributos de Charles Darwin (1809-1882) para a ciência e a cultura, lançados com desassombro e coragem, continuam a enfrentar resistências que, apesar de velhas, parecem inamovíveis.
Boa resposta lhes dá a exposição que assinala desde 2009 o bicentenário do nascimento do lembrado cientista inglês. Em Portugal, esteve patente em Lisboa e agora está no Porto, integrada no centenário da Universidade portuense (no palacete do Jardim Botânico, até 17 de julho). O mínimo que dela se pode dizer é, sem qualquer dúvida, algo como isto: organizada com critério e meios amplos, a exposição coloca-se ao nível dos méritos que distinguem o seu patrono.
Todavia, encontram-se ali motivos de muito diversa atualidade. Além da invalidação sumária do criacionismo, mito segundo o qual Deus criou «para sempre» todas as formas da vida,  que perdura na «Bíblia», a exposição invoca o problema da conservação da biodiversidade global que enfrentamos.  É uma questão, sem sofisma, das mais eminentes do nosso tempo e tanto mais vital quanto mais tem a ver de facto com a própria conservação da vida.
As espécies de flora e fauna que dia a dia desaparecem do planeta por radical extinção rompem os delicados equilíbrios do mundo natural e já ameaçam a segurança futura da espécie humana. Ninguém avalia todas as consequências finais das alterações dramáticas que ocorrem, sabendo-se porém que serão dramáticas. A espécie humana nasceu e desenvolveu-se no seio da natureza e dela faz parte intrínseca (para se alimentar, curar ou meramente existir) de tal forma indissociável que não conseguiria viver à parte.
Por outro lado, os frágeis equilíbrios da biodiversidade estão sob ameaça dos transgénicos  que, mais ou menos à socapa, invadem os campos. Os governos, inclusive europeus,  vão cedendo a este outro tipo de imperialismo: permitem a entrada e uso de sementes de produtos agrícolas com marca patenteada da Monsanto (sementes essas que não poderão reproduzir-se - somente os atos de compras periódicas), empresa americana que se acha no direito de patentear bróculos e couves lombardas, visionando explorações com mais de dez hectares e um mercado abastecido de géneros alimentícios com origem autenticada... e a ruína terminante da agricultura tradicional.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Uma nova Idade Média

Estou a escrever um conto fantástico. Será o último e será tão realista que o seu realismo vai parecer uma fábula fantástica, cheia de boa moralidade para edificação dos povos ocidentais. À entrada do século XXI, anuncia o advento de uma nova Idade Média.
O nosso século virado para o negrume medieval das trevas ignaras? Este século das proezas tecnológicas, dos esplendores da civilização, das liberdades democráticas, dos direitos do homem e da criança, das maravilhas infinitas? Vejamos então: se a realidade se torna pesadelo, a ficção toma-lhe o lugar.
Conta a história como a gente se convenceu a trabalhar mais, a produzir mais e a ganhar menos sob imenso stress. Conta como isso contribuiu, apesar de tudo, para se consumir mais e como a gente foi acusada de viver acima das suas possibilidades. Sem esquecer como os défices apareceram nas contas públicas  e serviram para justificar impostos mais pesados, sucessivos abaixamentos dos níveis de vida, e tudo por aí adiante.
De facto, a história é inacreditável, espantosa. Os patrões barafustavam, achando elevados os salários e os encargos sociais, e continuaram a deslocalizar as suas fábricas e postos de trabalho para longe, onde a mão de obra era descomplicada e baratinha. No seu sítio ficaram as produções ainda lucrativas, mas a sobreprodução desses bens estragou o mercado e o desemprego alastrou.
Os patrões garantiam que o Mercado, como um deus no céu, sabia controlar-se sozinho sem  regulação nenhuma e exigiam menos Estado e melhor Estado para responder à crise. Todavia, o «melhor» era, naturalmente, aquele que o respetivo governo lhes punha ao colo a pingar lucros, deixando para a gente sofrer a Austeridade, ideia de consequências perigosas conforme explica Mark Blyth. Entretanto, nações antes exportadoras tornaram-se importadoras e passaram a gastar dinheiro que antes ganhavam, os défices cresceram e as coisas complicaram-se.
De repente, um tsunami gigantesco surgiu e levou tudo de roldão. Com a falência dos bancos, o sistema financeiro deixou à vista, no seu interior, mais buracos do que pode ter uma torre de térmitas num escaldante deserto. Foi então o momento de a gente perder o sono e entrar em pânico.
As riquezas dos Estados sumiam-se debaixo de montes de dívidas em acumulação, os bancos descapitalizados estendiam a mão aflita para os Estados lhes valerem e a gente pasmada, a perguntar como criancinhas ingénuas onde iam esconder-se todas as nossas perdidas riquezas. Afinal, a gente só tinha de compreender que havia chegado o regime da Debitocracia, ou seja, a autoridade suprema do débito a ser cobrado. Imposto pelo FMI ou o Banco Mundial, em nome da alta finança especulativa, faz tombar as nações, uma a uma, como peças de dominó, e mostra que é ele o poder efetivo que governa o mundo.
Lança a garra ao que tem mais valor - o ouro, as propriedades, os bens raros - atirando a gente para o desamparo, o desemprego e a desvalia social.  Nações inteiras, saqueadas, não interessam aos senhores da Debitocracia depois de lhes tomarem posse dos rios, das estradas e das praças, condenando extensas massas humanas à proletarização.  E porque mais não digo, dou a palavra ao analista financeiro Max Keiser: afirma que o FMI, com o BCE atrelado, coloca em risco a União Europeia e o euro, visionando no horizonte um regresso do feudalismo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lendo o mundo me confundo

Sabem os acompanhantes deste blogue da atenção que temos vindo a dar às mudanças profundas e dramáticas em curso neste nosso tempo. Em jeito de crónica, opinou o cronista sobre questões variadas e tão variadas que, dir-se-ia, também ele se candidatava a ser mais um capaz de ter opinião pronta para despachar qualquer assunto. Evitemos, porém, a crítica fácil quando a pedra de toque consiste neste caso em avaliar se as opiniões aqui defendidas se baseiam a sério na realidade dos factos.
Não será o desconhecimento ou a dúvida mais ou menos momentânea desses mesmos factos que irá invalidar as opiniões expressas. Damos tempo ao tempo: as mudanças ocorrem e os movimentos do corpo social nem sempre reagem de pronto (e é assim que as ideias nas nossas cabeças correm atrás das novas realidades e a custo as alcançam). Habitamos num mundo perigoso e cada vez mais ameaçador, de modo que, talvez por isso mesmo, é agora que mais apetece prolongar as sonecas nos baloiços da rotina (acreditando nos políticos, confiando nos banqueiros) como que embalados em suaves harmonias de esferas celestiais.
Mas, desgraçadamente, tantas são as pancadas que se derramam do alto e tantas são as que se anunciam que o povo estremunha e desperta. Alarme: como pudemos chegar aqui?! Portugal está de novo diante do espelho, a interrogar-se como se não se reconhecesse.
Estamos pois a retomar o fado português que teimamos em viver como um psicodrama coletivo, em círculo vicioso, que se repete dentro do pátrio labirinto. Do 25 de Abril restam agora os cacos, da independência nacional não há sobras e o país de rastos põe-se a postos para receber de fora «quem o governe melhor» do que os seus naturais. A especulação de alta finança é que mais ordena, venha ela completar a destruição da economia nacional operada por criminosas políticas de direita e condenar-nos  a outro período de miséria salazarenta como povo sem colónias agora e sempre colonizado.
É portanto o fado português que regressa ao centro de múltiplas abordagens para motivar mais abordagens, a juntar à estante das antecedentes. Lá estão os textos de Oliveira Martins, Antero de Quental, Eça, Fidelino de Figueiredo, Eduardo Lourenço, Agostinho da Silva... Leonel Cosme, no seu livro Os Portugueses - Portugal a descoberto (Porto: 2007; Profedições, col. Bichos carpinteiros) cita também, nomeadamente, Fernando Pessoa, António José Saraiva, Miguel Torga, Jorge Dias, Jorge de Sena e Vitorino Magalhães Godinho.
Na sua demanda ao «ser português», este escritor e amigo percorre de relance os séculos da história nacional, tentando desenhar o perfil da identidade essencial deste povo. Esboça um «retrato» que nos interroga mais do que nos responde mas deixando no seu percurso, à atenção do leitor, uma boa porção de elementos que sinalizam a sua pessoal visão. Trata-se de uma nova reflexão, de flagrante atualidade, sobre as grandezas e as misérias deste povo que a cada passo tropeça e se desencontra consigo mesmo até pôr de remissa a Democracia.