terça-feira, 24 de maio de 2011

Uma taça de loucura

Ia tranquilamente de regresso ao tugúrio, depois do jantar. No trecho de auto-estrada ultrapassou-me um carro e, nele, um rosto fitou-me através do vidro, um braço acenou e soaram toques de buzina. Afrouxei, alarmado, espreitei atentamente o painel, alguma anomalia havia com certeza.
Mas as portas estavam bem fechadas, nenhuma lâmpada fundida, fogo nenhum saía em fumarada pelo cano de escape. Intrigado, continuei. Não tardei a ser de novo ultrapassado e outra vez avisado com sinais e sucessivos toques de buzina.
Portanto, qualquer coisa me corria mal: teria de parar logo logo onde pudesse e, no exterior, averiguar a causa dos avisos. A olhar para o painel é que nada descobria. Apenas ia sentindo e avaliando, com aplauso e gratidão, a magnífica entreajuda dos condutores portugueses.
Ao entrar na cidade, de repente, fez-se luz... Grupos de carros com os quatro piscas ligados iam apitando freneticamente, um autocarro com faixas, bandeiras e cachecóis  manobrava a custo no cruzamento, pessoas corriam e pulavam pelos passeios. Era... isso mesmo, a noite decisiva do campeonato europeu, o jogo concluído, o troféu da vitória final exibido na ponta do braço dos heróis!
De manhã eu fora convenientemente informado mas negligenciei tudo: saltei oito ou dez páginas do jornal sobre o glorioso prélio, mal escutei a rádio pública em emissão especial lá do sítio para não perder pitada, não estive um cisco de tempo a ouvir os comentários e os prognósticos e tantas outras sentenças durante o dia. Acabei por esquecer a Convocação Nacional para me emocionar com a importância vital extrema do evento que ia decidir o futuro do país.  Confesso a culpa: não sou, nunca fui, adepto do espetáculo da bola (por muito que, como os gatos, goste de jogar à bola) e estou em seguir sem mudança.
Mas eis-me com mais e mais motivos para me maravilhar. No próprio dia em que o Banco (BdP) previa que o nível de vida português ia sofrer um abaixamento «histórico» e constava que seiscentos mil trabalhadores tinham os seus salários penhorados por dívidas aos bancos, o povo da minha cidade festejava, a transbordar de alegria, a conquista da taça. Evitei passar pelo centro do burgo, sabendo que não iria romper: a multidão em magotes também ali erguia nos braços, como os heróis do momento, não a própria taça... mas grandes copos de cerveja... e também se sentiam outros grandes heróis do momento.
País abençoado este cujo povo recebeu em festa e delírio, no dia seguinte, quinta-feira, a equipa vitoriosa! Uma reportagem televisiva mostrou o percurso passo a passo, o helicóptero acompanhou, carros e motas em procissão e o champanhe jorrou em borbotões sobre cabeças e roupas como chuva de oiro. Uma taça de loucura embriagou as massas populares, que tudo esqueceram para obedecer à Convocação Nacional, assim manifestando à troika da tutela externa que eventos mais importam ao futuro do país (fazendo-me desejar a vinda urgente de menino e tambor para acordar, não já os duendes da floresta africana, mas quem se embriaga com a taça da loucura). [Foto extraída de pps com legenda final (em castelhano): «Para ver claro basta mudar a direção do olhar».]

terça-feira, 17 de maio de 2011

Notícias abundam, informação falta

Entre o cidadão e os acontecimentos mais sérios erguem-se paredes de crescente opacidade. Todavia, esses acontecimentos trazem consequências graves para cada cidadão e a vida coletiva em geral. Ora o cidadão, privado de informação esclarecida e esclarecedora, fica também privado de elaborar uma opinião sustentável sobre cada assunto... sendo esta a condição primeira da cidadania.
Generalizou-se portanto a atitude característica do «juízo suspenso» que alimenta nas massas o conformismo e a resignação. Chegámos ao ponto em que é normal não se ter opinião própria quanto a vastas gamas de problemas sérios como os ligados aos atos da governação do país ou quanto a acontecimentos dramáticos de grande relevo internacional. E eis-nos atolados na contradição: os banhos noticiosos diários deixam os cidadãos no escuro do que mais lhes importa.
De facto, a informação não é notícia (mercadoria de consumo rápido), embora esta sirva àquela. Portanto, navegando em plena maré cheia noticiosa, declara-se um défice clamoroso absolutamente nada democrático: sobram as notícias postas a correr mas falta informação, elemento indispensável à formação de opinião privada ou pública.
Veja-se um caso, o estendal (insondável?) de dívidas contraídas pelo Governo português e os bancos, as autarquias, empresas, equipas de futebol, famílias. A única «explicação» que o fenómeno vai tendo limita-se a responsabilizar a «crise vinda de fora», o que não explica nada. Interrogação espantosa: para onde foram esconder-se as riquezas que eram do país? Evaporaram-se?
Outro caso (não menos espastoso). Alguns países da NATO, a reboque dos EE.UU., resolveram impor a interdição aérea e bombardear um país soberano e o seu povo, alegando fins humanitários: proteger os grandes «libertadores» lá do sítio que se revoltaram - de armas na mão - por sinal (olha a coincidência!) a partir da cidade central da exploração petrolífera do país que logo lhe passou para as mãos. E agora, o Governo atacado e o seu povo, que se defenderam dos ataques  dos civis armados, são acusados pelos «libertadores» por se defenderem e estão sem poder mexer nos capitais investidos no estrangeiro.
Só mais um caso, o da anunciada morte de Bin Laden, no Paquistão. As versões do acontecimento resultam tão contraditórias que se anulam reciprocamente e ficamos sem atinar no que de facto aconteceu. Estaria o homem ainda vivo? E seria ele real? Ali, naquela casa? Como entender o comportamento dos governos envolvidos na condenação à pena capital sem qualquer julgamento?
A nuvem de suspeitas geradas em torno do 11 de Setembro, que tanta (in)segurança motivou, torna a adensar-se neste ambiente de suspeições, caldo pútrido de ambiguidades em que ressurge a teoria de que o ataque com aviões que atingiu a nação americana se deveu a maquinação conspirativa ainda escondida. Numa primeira abordagem, parece óbvio que a opacidade que rodeia os mais sérios acontecimentos do nosso tempo, sendo desmobilizadora da participação cidadã lúcida e consciente, resulta do falhanço da missão a que se votou a comunicação social - informar. Mas quem conhece a situação do jornalismo atual (como se pratica), não pode evitar um sorriso amarelo, desconsolado, para depois, enfim, assentir: esta informação, intoxicante e manipuladora, realmente não presta.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O cronista assaltado

Para que lado há-de virar-se? Os golpes e as pancadas chovem de todas as direções por cima dele, é a calamidade do século a jorrar como chuva de inverno e o pobre a senti-la por todo o corpo, sobretudo nas costas doridas, atacadas à traição. Sem forças já para abrir a boca e soltar o berro, morde a mordaça.
Todavia, mesmo sob a chuva das agressões - e cada uma pedia um grande berro descrito em crónica - o amordaçado cresce em espanto e maravilha. Este povo do país não pára de o surpreender. Uma parte, a mais idosa, conheceu a ditadura mas esqueceu-a nuns poucos anos de ensaio democrático; a outra parte, mais nova, teve a sorte de não ter conhecido o racionamento, a censura prévia e a polícia política, mas o resultado é o mesmo.
Perante as sondagens que andam a ser divulgadas das tendências eleitorais populares, porque outro plebiscito se aproxima, resulta inquestionável a conclusão: o povo continua agarrado às políticas de direita e a virar a cara às da esquerda (pois «comunista» é a esquerda que resta). Aguenta com toda esta pancada no lombo e insiste e teima e vota nos seus mesmíssimos partidos. Dizem-lhe da esquerda que esta crise de gravidade excepcional (crise das dívidas pública e privada e tudo o mais de roldão) resulta das políticas impostas pela direita, que têm vindo a governar o país, o povo conviveu dia a dia com a verdade e...? O povo parece agir como os ratos hipnotizados por Hamelin. Sob o ribombar desta tempestade consegue escutar a música dos políticos enquanto vai correndo para a fundura -  é um povo cego e surdo, ou então está encantado. Veja-se então como outros ratos votam!
Os seus políticos prometem deixá-lo com menos hospitais e centros de saúde, menos escolas públicas, menos deputados e funcionários estatais (que têm a missão de o servir)... e o povo tudo admite. Os seus governantes prometem sobrecarregá-lo com mais impostos, e desemprego, e recessão económica, e desordem social, e carestia de vida... e o povo acolhe e apoia, votando conforme sempre votou. Como vai o povo assim fazer-se respeitar, merecer melhores políticas, melhor país?
As políticas de direita vergam Portugal, nove milhões de votos, números redondos, amordaçam a voz de um milhão. Obrigam a privatizar as derradeiras entidades públicas ainda apetitosas para a boca dos financeiros de olho alerta no que lhes pode valer. O Estado, crivado de dívidas, fica sem mais nada para salvar os dedos e então chega a hora da verdade.
Entregue à ganância dos especuladores financeiros, as riquezas do Estado deixam-se devorar pela minoria privilegiada que sempre procurou lucrar à sua sombra. Os impostos continuarão a suportar os custos do funcionamento do Estado, mas pagá-los-á o povo, essas ditas classes médias, porque outra coisa quem manda não consentiria. Logo, é o povo que vai continuar a fazer todos os sacrifícios a troco de uma qualquer mísera cenoura da «política social».
Anunciam os presságios ao que vai dar este caminho. Endividada até às fraldas, a nação será pertença exclusiva da arraia miúda que o Estado tratará como servos. Lembram-se dos servos da gleba do feudalismo? [Ilustração parcial de uma das mais antigas edições da história de Hamelin. Clique para ampliar.]

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cidades modelo XXI

Duas evoluções marcam o nosso tempo: os espaços rurais estão a sumir-se dos mapas e crescem em número e tamanho as cidades. São evoluções paralelas, pois a população que se aglomera nas grandes urbes é em grande proporção a que sai dos campos em busca de outra vida. Por isso as cidades se expandem continuamente enquanto os espaços agrícolas e florestais desaparecem transformados em zonas suburbanas e urbanas e, tantas vezes, uma cidade antiga fica no centro de uma constelação de cidades-satélite.
Tanta acumulação demográfica em espaços restritos origina consequências cuja extensão e gravidade escapa à percepção corrente. Longe vai o tempo em que a abordagem sociológica detetava na cidade o fenómeno da massificação na forma da dita «solidão em comum» e a grande novidade eram as megalópoles. Hoje precisa de colocar no devido relevo o movimento que transforma massas de camponeses e aldeões em suburbanos ou citadinos.
Os antigos habitantes das pequenas comunidades rurais que se deslocam e promovem o crescimento geral da população urbana perdem, na mudança, o contacto com o seu tecido social relacional e alguma liberdade. Eram conhecidos, tinham «um lugar» e participavam da rede das diversas solidariedades. Dentro da massificação citadina, tendem a mover-se no estreito círculo familiar e do local de trabalho, tornando-se gente anónima até para os moradores do seu mesmo prédio.
Naturalmente, a população que vive imersa em grandes cidades já conhece bem a situação pois a partilha. Os recém-chegados, porém, estabelecem o contraste. Sentem a atomização, cada pessoa reduzida à expressão de si própria, o individualismo e o egoísmo aplicados como regras de sobrevivência.
De facto, as grandes cidades modelo XXI tornaram-se espaços concentracionários, com influências poderosas e vastíssimas sobre as populações embora pouco visíveis ou evidenciadas. Além de extinguir as tarefas manuais quase todas, restringindo as atividades a premir teclas e botões sob pressão do relógio (que marca segundos ou minutos, não horas rurais), os habitantes apinhados numa grande cidade suportam um conjunto de variadas dependências. Deixaram de poder baixar a mão sobre os frutos do seu trabalho e agora precisam do automóvel, dos transportes públicos, do supermercado, de espetáculos e de tudo o mais que a urbe lhes proporciona e os habitantes não dispensam.
As dependências citadinas agravam-se porque, sem vizinhanças com teor relacional, os habitantes das grandes cidades ficam, em passividade, expostos à comunicação dos media. Fácil é então manipular uma população massificada, especialmente quando o discurso dos media segue o modelo vigente da domesticação. Da conjugação destas dependências resulta o que uma abordagem sociológica competente poderia enunciar.
Por ora, apontando meramente o tema, vem-me à memória um powerpoint que circulou na Net com uma expressiva metáfora: explicava como domesticar porcos selvagens, atraindo-os com comida para a cerca onde acabavam por ficar presos e com dono. Não somos porcos nem selvagens, mas somos domesticáveis. E, como a rã da fábula de Olivier Clerc, até nos deixamos adormecer, quietinhos, na panela que nos coze em fogo lento. [Na foto: escultura de Lorenz Quinn.]

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A origem das espécies

Levou vinte anos a decidir publicar o livro que ficou como a sua obra fundamental. Previa a avalancha de reações adversas, nada científicas, que ia desencadear com a tese que propunha e não se enganou. Por fim, arrostando com preconceitos, insultos, propagandas malévolas e conservadorismos doutrinais, Darwin apareceu a defender A Evolução Natural.
Era o corolário dos estudos iniciados na viagem que fez a bordo da «Beagle». Durou quase cinco anos, até 1836, e deu a volta à Terra. Mas Darwin esperou até 1859 para lançar as bases científicas que permitiram ao mundo culto compreender o fenómeno da diversidade biológica.
Demonstrou que as espécies existentes provêm de um ancestral comum, assinalando ao mesmo tempo o papel da seleção natural. A obra emocionou os setores cultos e revolucionou as opiniões. Hoje, corrido século e meio sobre a primeira edição do seu livro, pode dizer-se, com inevitável tristeza, que os preciosos contributos de Charles Darwin (1809-1882) para a ciência e a cultura, lançados com desassombro e coragem, continuam a enfrentar resistências que, apesar de velhas, parecem inamovíveis.
Boa resposta lhes dá a exposição que assinala desde 2009 o bicentenário do nascimento do lembrado cientista inglês. Em Portugal, esteve patente em Lisboa e agora está no Porto, integrada no centenário da Universidade portuense (no palacete do Jardim Botânico, até 17 de julho). O mínimo que dela se pode dizer é, sem qualquer dúvida, algo como isto: organizada com critério e meios amplos, a exposição coloca-se ao nível dos méritos que distinguem o seu patrono.
Todavia, encontram-se ali motivos de muito diversa atualidade. Além da invalidação sumária do criacionismo, mito segundo o qual Deus criou «para sempre» todas as formas da vida,  que perdura na «Bíblia», a exposição invoca o problema da conservação da biodiversidade global que enfrentamos.  É uma questão, sem sofisma, das mais eminentes do nosso tempo e tanto mais vital quanto mais tem a ver de facto com a própria conservação da vida.
As espécies de flora e fauna que dia a dia desaparecem do planeta por radical extinção rompem os delicados equilíbrios do mundo natural e já ameaçam a segurança futura da espécie humana. Ninguém avalia todas as consequências finais das alterações dramáticas que ocorrem, sabendo-se porém que serão dramáticas. A espécie humana nasceu e desenvolveu-se no seio da natureza e dela faz parte intrínseca (para se alimentar, curar ou meramente existir) de tal forma indissociável que não conseguiria viver à parte.
Por outro lado, os frágeis equilíbrios da biodiversidade estão sob ameaça dos transgénicos  que, mais ou menos à socapa, invadem os campos. Os governos, inclusive europeus,  vão cedendo a este outro tipo de imperialismo: permitem a entrada e uso de sementes de produtos agrícolas com marca patenteada da Monsanto (sementes essas que não poderão reproduzir-se - somente os atos de compras periódicas), empresa americana que se acha no direito de patentear bróculos e couves lombardas, visionando explorações com mais de dez hectares e um mercado abastecido de géneros alimentícios com origem autenticada... e a ruína terminante da agricultura tradicional.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Uma nova Idade Média

Estou a escrever um conto fantástico. Será o último e será tão realista que o seu realismo vai parecer uma fábula fantástica, cheia de boa moralidade para edificação dos povos ocidentais. À entrada do século XXI, anuncia o advento de uma nova Idade Média.
O nosso século virado para o negrume medieval das trevas ignaras? Este século das proezas tecnológicas, dos esplendores da civilização, das liberdades democráticas, dos direitos do homem e da criança, das maravilhas infinitas? Vejamos então: se a realidade se torna pesadelo, a ficção toma-lhe o lugar.
Conta a história como a gente se convenceu a trabalhar mais, a produzir mais e a ganhar menos sob imenso stress. Conta como isso contribuiu, apesar de tudo, para se consumir mais e como a gente foi acusada de viver acima das suas possibilidades. Sem esquecer como os défices apareceram nas contas públicas  e serviram para justificar impostos mais pesados, sucessivos abaixamentos dos níveis de vida, e tudo por aí adiante.
De facto, a história é inacreditável, espantosa. Os patrões barafustavam, achando elevados os salários e os encargos sociais, e continuaram a deslocalizar as suas fábricas e postos de trabalho para longe, onde a mão de obra era descomplicada e baratinha. No seu sítio ficaram as produções ainda lucrativas, mas a sobreprodução desses bens estragou o mercado e o desemprego alastrou.
Os patrões garantiam que o Mercado, como um deus no céu, sabia controlar-se sozinho sem  regulação nenhuma e exigiam menos Estado e melhor Estado para responder à crise. Todavia, o «melhor» era, naturalmente, aquele que o respetivo governo lhes punha ao colo a pingar lucros, deixando para a gente sofrer a Austeridade, ideia de consequências perigosas conforme explica Mark Blyth. Entretanto, nações antes exportadoras tornaram-se importadoras e passaram a gastar dinheiro que antes ganhavam, os défices cresceram e as coisas complicaram-se.
De repente, um tsunami gigantesco surgiu e levou tudo de roldão. Com a falência dos bancos, o sistema financeiro deixou à vista, no seu interior, mais buracos do que pode ter uma torre de térmitas num escaldante deserto. Foi então o momento de a gente perder o sono e entrar em pânico.
As riquezas dos Estados sumiam-se debaixo de montes de dívidas em acumulação, os bancos descapitalizados estendiam a mão aflita para os Estados lhes valerem e a gente pasmada, a perguntar como criancinhas ingénuas onde iam esconder-se todas as nossas perdidas riquezas. Afinal, a gente só tinha de compreender que havia chegado o regime da Debitocracia, ou seja, a autoridade suprema do débito a ser cobrado. Imposto pelo FMI ou o Banco Mundial, em nome da alta finança especulativa, faz tombar as nações, uma a uma, como peças de dominó, e mostra que é ele o poder efetivo que governa o mundo.
Lança a garra ao que tem mais valor - o ouro, as propriedades, os bens raros - atirando a gente para o desamparo, o desemprego e a desvalia social.  Nações inteiras, saqueadas, não interessam aos senhores da Debitocracia depois de lhes tomarem posse dos rios, das estradas e das praças, condenando extensas massas humanas à proletarização.  E porque mais não digo, dou a palavra ao analista financeiro Max Keiser: afirma que o FMI, com o BCE atrelado, coloca em risco a União Europeia e o euro, visionando no horizonte um regresso do feudalismo.