Quem manda nos poderes do mundo não
desarma. Os ataques continuam a ser lançados porquanto umas ilhotas de liberdade que resistem no espaço cibernético incomodam demais a gente que pretende nivelar tudo por baixo. Depois de SOPA e de ACT, que energicamente soubemos rejeitar, temos agora CISPA (Cyber
Intelligence Sharing and Protection Act) a ameaçar de controlo a Internet.
Esta nova ofensiva contra a liberdade de expressão, esteio fundamental da democracia, foi aprovada pela Câmara dos Representantes norte-americana por 248 votos a favor
e 168 contra. O CISPA será usado, alegadamente (acrescenta a notícia), «em caso de possível ameaça informática», ficando esta
«possível ameaça», para já, a pairar como a maior ameaça da Net que queremos autenticamente livre. O Governo português nestas coisas é zeloso e não perdeu tempo, aderiu logo.
Sobram, porém, motivos de preocupação. O novo projecto da partilha de informações privadas dos cibernautas por uma «inteligência» planetária, facilitada pelos governos aderentes, entrega aos Estados Unidos o pouco que lhe faltará para ter em posse o domínio efetivo das informações da população pouco menos que mundial. Promete agir em nome da «segurança» e da «proteção» não esclarecendo de que segurança e proteção se trata.
A preocupação avulta até porque o anúncio do CISPA coincidiu com a detenção, pela PSP, por «manifestação ilegal», de alguém que distribuía um papel informativo à porta de um centro de emprego e, em França, de um cientista parece que franco-argelino porque, veja-se isto, escreveu umas «ameaças» num mail. Assinalavámos então o Dia Mundial da
Liberdade da Imprensa. E o site da Avaaz, organização consagrada à defesa de causas internacionais justas e humanas, apareceu a queixar-se de um ataque, notando que, pelo seu tamanho, «seria possível só de entidade governamental ou grande corporação».
Vai a onda imperial, finalmente, alagar o planeta e submergir a variedade imensa das ideias e opiniões em confronto vivo da humanidade plural? Ao serviço de quê? Tem a palavra, em primeiro lugar, os cibernautas.
Vai a onda imperial, finalmente, alagar o planeta e submergir a variedade imensa das ideias e opiniões em confronto vivo da humanidade plural? Ao serviço de quê? Tem a palavra, em primeiro lugar, os cibernautas.







