A dimensão do espaço mediático expande-se incomensuravelmente. Parece que não tarda a abranger o mundo inteiro e a cantar vitória definitiva. Será então o momento de vermos em cena o Espectáculo Único transmitido em directo para o palco mundial.Domingo, 12 de Julho de 2009
A idolatria das massas
A dimensão do espaço mediático expande-se incomensuravelmente. Parece que não tarda a abranger o mundo inteiro e a cantar vitória definitiva. Será então o momento de vermos em cena o Espectáculo Único transmitido em directo para o palco mundial.Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Não sou feliz com barbeiros
Queixam-se de que são uma classe profissional em vias de extinção e, de facto, são cada vez mais raras as barbearias. Mas não será isso apenas para nos obrigarem a estender a procura e o caminhar? Há motivos de sobra para dizer que não sou feliz com os barbeiros.Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Um mar de mentiras
O jornal que me suja os dedos e não sei que mais anunciou há dias que esta crise liquidou 700 milionários no nosso país. Ninguém chorou, que se saiba, com pena deles pois aquelas centenas de milionários não deixaram de o ser por terem distribuído pelos pobres o que possuíam. As suas fortunas, simplesmente, tinham-se sumido sem proveito para alguém com verdadeira necessidade.Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
De olhos nos olhos
Estou a vê-la lá fora na esplanada do café, numa cadeira que a coloca defronte do vidro. Parece que os nossos olhares se cruzam, ficamos por momentos de olhos nos olhos, mas eu estou na sombra do interior, sei que sou invisível e que ela, uma rapariga de radiosa juventude, apenas se contempla espelhada no vidro. Conversa com outra jovem, sentada diante dela, decerto um pouco mais idosa pois já é mãe. Tem ao seu lado um carrinho de bebé para o qual se inclina enquanto conversa.Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Vendo na gota o oceano
Caminho por esta avenida desde há uns cinquenta anos. Encontrava-a então com a louçania da novidade. Era poiso da burguesia abastada, invisível para além dos muros das suas amplas e ostentosas mansões. Todas exibiam estes espaços ajardinados com entradas de garagem.Domingo, 31 de Maio de 2009
Como ler um dicionário

São de vário género os dicionários existentes. Quase todos, porém, partilham a característica distintiva: contêm informação útil. Servem para consultas, tirar-dúvidas ou tirar-teimas. Mas um dicionário, pelo menos, pede propriamente uma leitura. Não aspira a ser consultado apenas pelas entradas que contém, quer também suscitar uma apreciação de outro nível.
É o caso do dicionário que publiquei em 2001 para recensear os escritores, artistas, músicos, poetas e animadores de teatro popular nascidos ou ligados de algum modo à Bairrada. Embora servindo para o que todo o dicionário serve, pede uma abordagem diferente. Será esta uma opinião suspeita? Passo a explicar.
Pela primeira vez, ao que parece, aquela obra tentou coligir todos os autores (então já falecidos) que constituíram e de algum modo compuseram o mosaico da «paisagem cultural» de uma região caracterizada. E eis o que fica então à vista: as circulações e práticas culturais, nas suas variadas corporizações vivas ali ocorridas ao longo do tempo. O meu dicionário oferece uma visão panorâmica da imagem do que tem sido «cultura» na Bairrada até aos nossos dias.
Surpreende decerto que a obra recenseie uns 170 autores tendo em conta a relativa pequenez e o ambiente rústico tradicional do espaço
É notório, de facto, o relevo que a região atinge graças a obras devidas a vultos como António Feliciano de Castilho (autor do romance Mil e um Mistérios) cuja juventude ficou tão ligada à terra natal de seu pai, ou como António Augusto de Aguiar, Fialho de Almeida, Machado de Castro, António Lima Fragoso, Manuel Rodrigues Lapa, Alexandre da Conceição, António de Cértima, Tomás da Fonseca (revelou o Poeta-Cavador, escreveu o romance Filha de Labão), Samuel Maia, Emídio Navarro, Visconde de Seabra, Fausto Sampaio, Luís de Albuquerque, Arlindo Vicente, e tantos, tantos mais. Compuseram música e poesia, pintaram, escreveram ficções, estudos… Alguns destes autores principais dispõem de informação acessível, mas o Dicionário de Autores da Bairrada referencia imensos outros que andam omissos ainda que tenham avultado no seu tempo. E será o único a registar as ligações de todos à Bairrada.
Com este «modelo», decerto algo inovador, o dicionário dá a ver a realidade de um movimento cultural no terreno, percebendo quanto sai do espaço regional para o espaço nacional, e vice-versa. Admirará que uma segunda edição corrigida e aumentada (em oferta para descarga neste blogue) permaneça inédita? Nada disso, o resultado era previsível atendendo à rareza do conceito «região» entre nós, em divergência, por exemplo, com Franceses ou Espanhóis.
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Abriu biblioteca na freguesia
Fui à inauguração. A freguesia onde resido, que é a mais populosa da cidade do Porto e certamente de todo o país, tem desde ontem biblioteca pública. Abriu na antiga Casa de Cultura da autarquia, que passou agora a ser a Casa dos Livros.