Apelos pacifistas percorrem o mundo. Multiplicam-se em todos os sentidos, num crescendo de alarmes angustiados. Os motivos saltam à vista: antes o mundo estava perigoso, agora está ameaçador, eis a III Guerra Mundial a bater-nos à porta.
O sistema global do capitalismo «ocidental» afundou-se numa crise que lhe põe à prova as estruturas e os próprios alicerces. Conseguirá o sistema enfrentar e resolver a crise mantendo-se como é? Ou terá chegado a hora suprema de se regenerar?
Mas poderá o capitalismo - sistema velho, ancilosado e exausto - ter forças para verdadeiramente se regenerar? Pode o «selvagem» civilizar-se? Opiniões das mais esclarecidas são terminantes: a única saída dentro do sistema será sempre a da solução bélica.
Assim foi ao longo da história (e convém lembrá-la em atenção às semelhanças da conjuntura internacional desta crise com, por exemplo, a da época do grande crash): desemprego, inflação, governos empenhados em políticas de direita e mesmo racistas, quebra dos ritmos de atividade económica normal, desamparo social, incremento das indústrias de guerra, massas populares asfixiadas por propagandas asfixiantes, insegurança quotidiana...
Assim foi ao longo da história (e convém lembrá-la em atenção às semelhanças da conjuntura internacional desta crise com, por exemplo, a da época do grande crash): desemprego, inflação, governos empenhados em políticas de direita e mesmo racistas, quebra dos ritmos de atividade económica normal, desamparo social, incremento das indústrias de guerra, massas populares asfixiadas por propagandas asfixiantes, insegurança quotidiana...
Assim foi com o nazismo e o fascismo nos anos '30, e assim decerto se irá repetir a desgraçada experiência da conflagração mundial de 1939-1945. Justificam-se, pois, os veementes apelos à paz lançados por entre os augúrios da próxima calamidade ainda que, mais uma vez, poucos queiram acreditar em tais avisos de Cassandra. De facto, Milan Kundera é certeiro na ideia de que a perda da memória das dores e das destruições sofridas numa guerra é que torna possível a repetição de tão medonha loucura.
Mas o capitalismo do século XX, alimentado a petróleo tanto quanto se sabe, vê a sua economia a descambar. Depois do desastre do golfo do México, a exploração das energias fósseis torna-se mais problemática, cara e difícil. Todavia, o Irão possui umas jazidas apetitosas (10% das reservas mundiais e de qualidade excelente), e o Médio Oriente (Síria, Líbano, Jordânia...) ainda tem muito para dar aos amigos de Israel que sorriem para os chefes da NATO.
De modo que chegamos a isto. Lamentando a sorte da Cassandra mitológica que augurava sem ninguém convencer, enquanto decorrem os preparativos finais para a guerra - que será nuclear. Recordemos então o aviso deixado por Albert Einstein: «Não sei com que armamento se combaterá na Terceira Guerra Mundial, mas na Quarta Guerra Mundial combater-se-á com paus e pedras.»
Mas o capitalismo do século XX, alimentado a petróleo tanto quanto se sabe, vê a sua economia a descambar. Depois do desastre do golfo do México, a exploração das energias fósseis torna-se mais problemática, cara e difícil. Todavia, o Irão possui umas jazidas apetitosas (10% das reservas mundiais e de qualidade excelente), e o Médio Oriente (Síria, Líbano, Jordânia...) ainda tem muito para dar aos amigos de Israel que sorriem para os chefes da NATO.
De modo que chegamos a isto. Lamentando a sorte da Cassandra mitológica que augurava sem ninguém convencer, enquanto decorrem os preparativos finais para a guerra - que será nuclear. Recordemos então o aviso deixado por Albert Einstein: «Não sei com que armamento se combaterá na Terceira Guerra Mundial, mas na Quarta Guerra Mundial combater-se-á com paus e pedras.»
E os guerreiros serão uns desgraçados trogloditas, sobreviventes do holocausto nuclear, regressados à Idade da Pedra depois do «século do petróleo». Eis-nos a caminhar em frente, a cantar a vitória do último jogo de futebol e a discutir o melhor treinador mais precioso e capaz de afirmar a honra nacional.
Abrimos as portas e os braços para acolher de olhos fechados os horrores que não queremos ver até que nos caiam em cima e seja tarde demais. Pouco falta para que as autênticas liberdades sucumbam e alguém grite «Viva a morte». Outro alguém apontará então a pistola ao último defensor que se atreva a falar de inteligência, cultura ou humanidade.





